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Folhinha (26): Aniversário Zehar

Na civilização zehar não existe o conceito de um aniversário pessoal. Os pais sequer lembram o dia em que nasceram seus filhos. Apenas o ano é importante.

A mudança de idade, para todo zehar, é no primeiro dia do mês Tau (equivalente a 5 de setembro), que marca o meio do ano. Nessa data toda a população comemora seu aniversário.

Alguns jovens que imigram para lugares onde vigoram outros calendários e costumes acabam adotando um dia qualquer (normalmente, o da sua migração) como a sua data de nascimento. Passam a ter dois aniversários: o civil e o zehar.

Hoje, portanto, feliz aniversário zehar para você também.

Folhinha (25): A Libertação dos Cães

Entre várias outras coisas, era proibido ter cães em Laburre. Os poucos que existiam eram clandestinos, criados em porões, sem poder latir.

A Revolução dos Latidos derrubou o regime ditatorial e acabou com a proibição. Por isso, em 19 de agosto, aniversário da tomada do poder, é celebrado o Dia da Libertação dos Cães. Todos levam seus animais para passear pelas ruas e, no fim da tarde, são servidos deliciosos pedaços de tutano aos presentes.

É costume também as pessoas usarem coleiras nesse dia. E conversar latindo.

Folhinha (24): Quarta-feira de Cinzas

A origem do Carnaval, como se sabe, está nas Saturnálias – as festas em que os romanos honravam o deus Saturno (e, entre os muitos do seu cortejo, Momo, o Sarcasmo). As brincadeiras, fantasias, dança e música terminaram, porém, no ano de 392. Foi quando Teodósio, sucessor do imperador Constantino, transformou o Cristianismo em religião oficial do império.

A Saturnália daquele ano foi proibida. É claro, porém, que ainda havia foliões decididos a manter a tradição. E a festa se transformou em tragédia.

O último desfile pela Via Apia foi reprimido com violência. Pelo menos 250 pessoas morreram naquele Dies Mercurii (quarta-feira), e seus corpos foram queimados junto com os restos dos carros alegóricos destruídos. Em lembrança do castigo destinado aos pecadores, foi instituída a Quarta-Feira de Cinzas.

Folhinha (23): Mehnufarrej

Em Cambala, no dia 28 de fevereiro é comemorado o Mehnufarrej¹, o Festival dos Goles de Água. A origem da festa é uma lenda sobre uma seca que devastou o país, até que a deusa Legana (a Distribuidora de Dádivas) trouxe de volta a chuva.

Mas foi por pouco. Legana se disfarçou de mendiga e bateu de porta em porta, pedindo um pouco de água. Um por um, todos recusaram. Ela estava prestes a voltar para seu palácio, deixando Cambala na seca por mais sete anos, quando uma viúva lhe ofereceu metade da sua última caneca de água.

A deusa fez chover naquele mesmo instante, e cobriu de riquezas a viúva generosa. Desde aquele dia, todos os anos, no Mehnufarrej, as pessoas oferecem copos de água umas às outras, mesmo a desconhecidos, já que Legana pode estar novamente disfarçada entre os mortais.


¹ Na verdade, no 70° dia depois do solstício de verão.

Folhinha (22): Natal

A uma semana da noite de Natal, convém desconstruir alguns mitos que cercam a celebração e resgatar importantes elementos natalinos de matriz africana que foram apropriados e deturpados pelos europeus.

A Árvore de Natal, por exemplo. Originalmente, não era o pinheiro, e sim o baobá. Por toda a África Central, crianças pintavam decorações na casca dos baobás para celebrar o solstício. Normalmente, os desenhos eram geométricos, mas também incluíam figuras zoomórficas e antropomórficas, às vezes até pequenas cenas.

Há quem sustente que foi uma dessas cenas pintadas em cascas de baobá, representando o nascimento de uma criança, que deu a São Francisco de Assis a ideia de criar o primeiro presépio da Europa, em 1223. A peça, de origem etíope, teria chegado a suas mãos por meio de missionários lusitanos.

Finalmente, é preciso notar que a figura do boneco de neve, tão comum nas decorações natalinas mesmo em países tropicais como o Brasil, também é de origem africana. Nessa época do ano, caçadores tanzanianos subiam o Kilimanjaro para moldar estátuas de neve, num ritual destinado a garantir a boa sorte na temporada de caça.

Folhinha (21): Dia do Umbigo

Hoje é o Dia do Umbigo em Nova Macrameia. Seguindo a tradição, todas as pessoas andam com suas camisas amarradas no peito, de forma a deixar os umbigos à mostra.

Neste dia, acredita-se, os demônios andam à solta pelo mundo, em forma de humanos. Como demônios nascem de ovos, e portanto não têm umbigos, a melhor forma de provar que você é uma pessoa de verdade e não um demõnio infiltrado é deixando a barriga à mostra.

Folhinha (20): Dia do Vampiro

Parte dos adeptos comemora a data em 26 de maio, aniversário da publicação de “Drácula” (1897) e do nascimento de Peter Cushing (1913). Mas outros preferem o 27 de maio, quando nasceram tanto Vincent Price (1911) quanto Christopher Lee (1922). Devido ao intenso debate, a maior parte das comemorações acontece à meia-noite, entre os dias 26 e 27. É a hora em que se deve morder um pescoço.

Não se deve consumir nada temperado com alho.