Era uma vez (8): O mercador e o gênio

Era uma vez um pobre mercador. Um dia, procurando no lixo por alguma coisa que pudesse levar para o mercado da cidade, encontrou uma garrafa velha. Limpou-a, abriu a sua tampa e de dentro dela, no meio de uma nuvem de fumaça, saiu um gênio.

– Saudações, mestre. Tenho o poder de realizar todos os seus desejos, mas uma antiga maldição me prendeu a esta garrafa – ele disse.

O mercador, para testar os poderes do gênio, pediu um saco cheio de moedas de ouro. No mesmo instante viu o seu desejo realizado e, depois de mandar que o gênio voltasse para dentro da garrafa, foi á cidade para gastar seu dinheiro.

Em pouco tempo já havia esbanjado tudo. Abriu outra vez a garrafa, então, e disse ao gênio:

– Será muito trabalhoso ter que ficar fazendo um desejo depois do outro. Quero logo ser imensamente rico e morar na casa mais luxuosa da cidade.

No mesmo intante viu-se transportado aos salões de um palácio, onde vários criados o serviam em meio à abundância de bens.

Passou-se mais algum tempo e o mercador, insatisfeito, voltou a abrir a garrafa, dizendo ao gênio:

– Posso comprar tudo o que quiser, mas descobri que existem coisas que não estão à venda. Quero o poder. Quero ser rei.

Piscou os olhos e, quando os abriu, estava sentado no trono, rodeado por seus ministros, dando ordens e distribuindo sentenças. Não demorou muito, porém, para cobiçar um reino vizinho, ao qual declarou guerra.

Foi uma péssima decisão, pois o inimigo era mais poderoso e sitiou sua capital. Recorreu então mais uma vez ao gênio:

– Os invejosos estão tentando tomar meu reino. Quero que meu exército seja invencível.

Assim se fez, e as suas tropas reverteram a situação, rapidamente subjugando o país vizinho. Vencedor, tomou gosto pela conquista e partiu para novas campanhas, rormando logo um vasto império. Mas ainda era pouco, e demorado.

– Desejo ser imperador de toda a terra, e que todos os reis do mundo me prestem vassalagem – exigiu ao gênio.

Agora então seu palácio se erguia no topo de uma montanha, e dali ele governava todos os homens do mundo. Mesmo assim, um dia entediou-se e convocou de novo o gênio, dizendo:

– Tudo está ao meu alcance, mas não me basta. Quando quero alguma coisa, ainda preciso ordenar, e esperar que seja feita. Isso me irrita. Quero o poder de ter imediatamente tudo o que desejar.

– Então queres ser como eu – observou o gênio.

– Sim! Quero ser como tu – ele respondeu.

No mesmo instante o gênio capturou seu mestre e trancou-o consigo dentro da garrafa, onde ele se tornou igualmente poderoso e prisioneiro da mesma maldição. Dizem os sábios que os dois, de fato, sempre foram um só.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s