Arquivo do mês: março 2017

Era uma vez (8): O mercador e o gênio

Era uma vez um pobre mercador. Um dia, procurando no lixo por alguma coisa que pudesse levar para o mercado da cidade, encontrou uma garrafa velha. Limpou-a, abriu a sua tampa e de dentro dela, no meio de uma nuvem de fumaça, saiu um gênio.

– Saudações, mestre. Tenho o poder de realizar todos os seus desejos, mas uma antiga maldição me prendeu a esta garrafa – ele disse.

O mercador, para testar os poderes do gênio, pediu um saco cheio de moedas de ouro. No mesmo instante viu o seu desejo realizado e, depois de mandar que o gênio voltasse para dentro da garrafa, foi á cidade para gastar seu dinheiro.

Em pouco tempo já havia esbanjado tudo. Abriu outra vez a garrafa, então, e disse ao gênio:

– Será muito trabalhoso ter que ficar fazendo um desejo depois do outro. Quero logo ser imensamente rico e morar na casa mais luxuosa da cidade.

No mesmo intante viu-se transportado aos salões de um palácio, onde vários criados o serviam em meio à abundância de bens.

Passou-se mais algum tempo e o mercador, insatisfeito, voltou a abrir a garrafa, dizendo ao gênio:

– Posso comprar tudo o que quiser, mas descobri que existem coisas que não estão à venda. Quero o poder. Quero ser rei.

Piscou os olhos e, quando os abriu, estava sentado no trono, rodeado por seus ministros, dando ordens e distribuindo sentenças. Não demorou muito, porém, para cobiçar um reino vizinho, ao qual declarou guerra.

Foi uma péssima decisão, pois o inimigo era mais poderoso e sitiou sua capital. Recorreu então mais uma vez ao gênio:

– Os invejosos estão tentando tomar meu reino. Quero que meu exército seja invencível.

Assim se fez, e as suas tropas reverteram a situação, rapidamente subjugando o país vizinho. Vencedor, tomou gosto pela conquista e partiu para novas campanhas, rormando logo um vasto império. Mas ainda era pouco, e demorado.

– Desejo ser imperador de toda a terra, e que todos os reis do mundo me prestem vassalagem – exigiu ao gênio.

Agora então seu palácio se erguia no topo de uma montanha, e dali ele governava todos os homens do mundo. Mesmo assim, um dia entediou-se e convocou de novo o gênio, dizendo:

– Tudo está ao meu alcance, mas não me basta. Quando quero alguma coisa, ainda preciso ordenar, e esperar que seja feita. Isso me irrita. Quero o poder de ter imediatamente tudo o que desejar.

– Então queres ser como eu – observou o gênio.

– Sim! Quero ser como tu – ele respondeu.

No mesmo instante o gênio capturou seu mestre e trancou-o consigo dentro da garrafa, onde ele se tornou igualmente poderoso e prisioneiro da mesma maldição. Dizem os sábios que os dois, de fato, sempre foram um só.