Rebuliço

hermes.jpgPara essas pessoas, o sr. Chawla respondeu:

— Ele está no serviço público.

Serviço público! As pessoas pensavam nas sestas vespertinas. Em garotos que servem chá, o dia inteiro de cima para baixo com copos de chá com leite soltando vapor. Pensavam em remédios gratuitos no dispensário e pensões. Em tíquetes para comida e telefone. Em ligações de gás que poderiam ser conseguidas tão facilmente. Pensavam em como esse era um país com muitos festivais e feriados. Em como os escritórios do governo fechavam em cada um. Imaginavam um emprego em que, mesmo que o seu chefe se revelasse desagradável, haveria sempre uma porção de gente com quem você poderia gritar, pessoas com quem gritar ainda mais alto do que o seu chefe tinha gritado com você. O varredor ou o contínuo, por exemplo. Você poderia dizer: “Onde está a sua cabeça? Ela caiu no caminho para o trabalho?” Ou: “Cuidado ou lhe darei um chute que vai mandá-lo de Shahkot até a baía de Bengala.” Que prazer seria ter um emprego assim! Realmente, era uma boa coisa ter um filho no governo. As pessoas pensavam no Ministério das Finanças. Da Indústria. Na Administração Florestal e na Previdência Social das Mulheres. No Ministério da Pesca. De Arte e Cultura. No Ministério dos Transportes.

Sampath, no entanto, trabalhando à mesa dos fundos no correio de Shahkot, não se considerava tão fantasticamente afortunado. 

DESAI, Kiran. Rebuliço no pomar das goiabeiras. Trad. Ana Luísa Borges. Record, 2000.

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