Postais do Exílio (133): Vale de Uran

Todos os dias centenas de pessoas gritam da beira do penhasco, mas jamais alguém ouviu a própria voz ecoar. Em vez disso, o que se ouve são os ecos de outras vozes. Vozes estranhas, distantes. Às vezes em línguas desconhecidas.

Existem duas explicações para o fenômeno. A primeira é de que a configuração rochosa singular do Vale de Uran distorce as vibrações de tal forma que torna os ecos irreconhecíveis.  Pode ser. Mas isso não explica muito bem por que diversas vezes, na calada da noite, o vale reverbera sem ser provocado. É por isso que acredita-se que os ecos de Uran são retardados, e só agora estamos ouvindo a repetição de gritos que foram dados ali há anos, talvez séculos.

Uma variação desta hipótese sugere que Uran ecoa sons do futuro, sendo na verdade um oráculo. Houve mesmo quem garantisse ter escutado ali pela primeira vez uma declaração de amor que voltaria, anos depois, a ouvir – desta vez de lábios humanos.

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