Dramatis Personæ (202): Andur, o gênio imbecil

Quando o sábio rei Suleiman (Alá, porém, é mais sábio) aprisionou os gênios, forçando-os à obediência, houve apenas um que lhe escapou. Tratava-se, justamente, do mais poderoso entre eles, o mais astuto, o mais clarividente. Chamava-se Andur, e rivalizava em sabedoria com o próprio Suleiman. Por isso mesmo, percebeu que seria inútil tentar enfrentá-lo, e que mais valia ocultar-se aos seus olhos.

Andur, então, tomou a forma que jamais se poderia esperar de um gênio, ou seja, a de um imbecil. Tornou-se o mais estúpido dos homens, alvo de zombaria até mesmo dos escravos.

Tanto tempo permaneceu assim, e tanto se dedicou a parecer um imbecil, que enfim se tornou incapaz do mais básico raciocínio. E mesmo depois da morte de Suleiman (que Alá o tenha em sua glória) não foi capaz de abandonar seu disfarce, por ser obtuso demais para perceber que já não corria perigo. Vaga até hoje pelo mundo, penando sua estupidez.

Dizem que, na verdade, Andur nunca escapou da armadilha de Suleiman, que assim o condenou a ser prisioneiro da própria astúcia.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s