Dramatis Personæ (201): Luciano, o desesperantista

Servi-me da inabilidade com o francês para justificar as palavras presas na garganta, as palavras repetidas, gagas, a falta de vocabulário, a falta do que dizer.
LEVY, Tatiana Salem. Dois rios. Rio de Janeiro: Record, 2011.

Luciano chegou à conclusão de que o mal das relações humanas não é a falta de diálogo, mas o excesso dele. Se todos reconhecessem a incapacidade de comunicação, a necessária intradutibilidade dos sentimentos e ideias de cada um numa linguagem coletiva, todos viveriam em paz, sabendo que o discurso do outro não é o que se entende dele, e sim um universo à parte, do qual só se pode apreender (na melhor das hipóteses) uma analogia.

Na contramão de Zamenhof, passou a defender que cada pessoa tenha uma linguagem própria, não compartilhada com mais ninguém, para que toda conversa seja obrigatoriamente uma tradução.

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