Dramatis Personæ (198): Eriberto, o Moço

Foi o último fundibulário do batalhão dos Jizores.

Era uma tradição. Em qualquer batalha, os Jizores tinham sempre à frente um menino armado de uma funda. Sua missão era inspirar moral aos soldados, disparando sempre o primeiro tiro contra as tropas inimigas. Um tiro simbólico, sempre a uma distância segura e de onde sua pedra sequer seria capaz de causar algum estrago, mas sempre o bastante para provocar gritos de entusiasmo ao lembrar a lenda de Davi e Golias. Atirada a pedra, o menino era levado à tenda dos comandantes e o real conflito se iniciava.

Em maio de 1643, porém, um rapaz chamado Eriberto, recrutado entre os faz-tudo do exército como seus antecessores, armou sua funda por ordem do comandante. Estava ainda a girar a correia quando foi atingido pelos estilhaços de um morteiro inimigo e morreu ali mesmo, diante de um pelotão perplexo.

Não houve batalha. O exército inimigo se recolheu e entregou aos Jizores o artilheiro assassino, cujo nome foi relegado ao esquecimento. E a funda foi definitivamente abandonada.

Alguns historiadores consideram a morte de Eriberto o marco de nascimento da guerra moderna.

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