Postais do Exílio (128): Túmulo de Abudar

Pouco antes de morrer, Abudar (o oitavo cazafrás do império) deixou instruções precisas quanto ao monumento fúnebre que deveria ser erguido em sua homenagem. O mausoléu deveria ter paredes de mármore, com portões de oricalco cravejados de safiras. Em toda a volta deveriam ser postadas estátuas de bronze de guerreiros em tamanho natural, cento e quarenta e quatro ao todo. Na câmara interna, no local onde seria depositado o corpo de Abudar, haveria outra estátua, esta inteiramente feita de ouro, representando o monarca em sua chegada gloriosa à morada dos deuses. Era um projeto tão grandioso que apenas para iniciar a sua construção seria preciso consumir todo o tesouro arrecadado  com os impostos escorchantes estabelecidos por Abudar nas duas décadas do seu reinado, e a conclusão custaria pelo menos mais quatro décadas de igual esforço.

Em vez disso, enterraram o corpo e cobriram o local com uma laje em que foi gravado o nome do soberano.

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