Dramatis Personæ (188): Marcelino

Sua obsessão começou, como soem começar as obsessões, do modo mais inocente possível. Despetalava um bem-me-quer e, chegando ao fim (bem? mal? nem mais se lembra), não confiou no veredito. Achou melhor confirmar com outro oráculo. Assim, despetalou mais um, e outro, e todos do canteiro. Passou às outra flores: bem-me-quis-mal-me-quis as margaridas, as rosas, as gérberas, até as hortênsias. Da sua casa passou ao jardim da praça, e aos vizinhos, e nunca mais parou de arrancar as pétalas de toda flor que via.

Esgotadas as flores da cidade, passou a arrancar as folhas das árvores, bem-me-quer, mal-me-quer.

Jura que vai parar. Que é só mais uma. Como dizia desde o começo.

Até hoje ninguém sabe quem é o sujeito desses bem e mal quereres que afligem seu coração.

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