Postais do Exílio (111): Ponto do 47-B

O que há de mais marcante no ponto do ônibus 47-B não é a sua arquitetura, que se tornou referência mundial em mobiliário urbano. Também não foram os paineis que o decoram. Tudo isso é relevante, mas não tanto quanto o fato de que a linha 47-B não existe. Quem para no ponto, portanto, fica esperando um ônibus que nunca passará.

Há vários motivos que levam as pessoas ao ponto. Algumas vão pela esperança de que o ônibus, algum dia, apareça. Outras aproveitam a espera para meditar sobre as virtudes da esperança. Já foi um bom local de paquera.

Chegou a haver um grupo que comprou um ônibus e pintou o letreiro 47-B, passando no ponto para levar passageiros estupefatos a destinos aleatórios. Mas isso foi proibido, e reprimido severamente. A espera, assim, passou a ser não somente pelo que não existe mas pelo que não pode existir.

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