Biblioteca de Babel (91): Saga de Olaf V

Olaf V, dito o Brevíssimo, é um dos menos estudados entre os reis vikings. Pudera: seu reinado, se é que pode-se chamá-lo assim, durou apenas quinze minutos. Coroado ainda adolescente logo após a morte de seu pai, Olaf IV, tombou vítima de uma doença misteriosa no próprio banquete que celebrava sua ascensão ao trono.

O anônimo bardo incumbido de cantar os feitos do rei morto viu-se numa missão ingrata. Olaf IV, por exemplo, fora um guerreiro, um conquistador. De seu filho, nada havia para dizer. Mas recusar a tarefa, ou executá-la sem brilho, seria incorrer na fúria da família real.

A Saga de Olaf V, então, foi a única de todas as sagas nórdicas a descrever não as façanhas militares de um rei, mas os conflitos morais e espirituais que passaram por sua mente nos brevíssimos minutos em que sua cabeça coroada pressentiu a morte chegar. É, de certa forma, precursora do moderno romance psicológico, tendo sido reconhecida por Stendhal como uma de suas principais influências.

Quanto ao bardo, diz-se que foi decapitado por ter feito de Olaf V um herói que nenhum sucessor jamais seria capaz de superar.

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