Criptoetimologia (59): Itabira

A versão oficial é de que o nome da cidade natal de Carlos Drummond de Andrade tem origem indígena: pedra (ita) que brilha (bira). A localidade teria sido batizada por Manoel do Rosário e João Teixeira Ramos, que descobriram ouro de aluvião perto do Córrego da Penha.

A verdade, porém, é outra.

No fim do século XVII, ali já se estabelecera um grupo de peregrinos judeus, que fugiam da Inquisição portuguesa. As montanhas mineiras   fizeram-nos pensar no Tabor, o monte diante do qual, inflamado por Débora, o exército hebreu venceu os cananeus (Juízes, 4). E chamaram o local pelo nome hebraico do Tabor – Itabyriun. Ali pretendiam criar um abrigo e, se preciso, um ponto de resistência.

Quando Ramos e Rosário chegaram à região, já encontraram os colonos judeus. Temendo nova expulsão, e aproveitando a existência de ouro no córrego próximo, eles forjaram a etimologia tupi, que acabou consagrada.

(Ao descobrir a verdadeira origem do nome, o Cônego Raimundo Trindade, primeiro historiador da região, anotou em seu diário que o Tabor foi também o local da Transfiguração de Cristo, segundo os Evangelhos; que “pedra do brilho” também seria uma descrição  correta para a colina na Galiléia; e que, no fim, tudo concorrera para a maior glória do Senhor, não havendo motivo para perseguir os descendentes dos primeiros colonos.)

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3 Respostas para “Criptoetimologia (59): Itabira

  1. Já tem Brodósqui? Faz Brodósqui?! Pera, vou procurar. :)

  2. Nada de Brodósqui, Brodowski, nada… xD

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