Biblioteca de Babel (84): Hiperacróstico

Como romance, é no máximo medíocre. O enredo é previsível, os personagens são clichês, a escrita é linear e pouco imaginativa. Como se não bastasse, é longo demais, com seus 80 capítulos arrastando-se um atrás do outro, como se o objetivo fosse afastar o leitor . O fim, longe de ser compensador ou mesmo um alívio, gera apenas a sensação de frustração pela perda de tempo com uma leitura tão inútil.

Lendo-se apenas o primeiro parágrafo de cada capítulo, porém, o que se revela é um conto surpreendente. A alternância de ritmos, o jogo de repetições, a forma como tudo se encaminha para um final aberto e que no entanto confere sentido à narrativa: tudo mostra a precisão que se espera de contistas de primeira linha.

Se tomarmos porém apenas a primeira palavra de cada capítulo, o resultado é um poema que ainda supera em qualidade o conto.

As letras iniciais dos capítulos formam o verso mais perfeito já escrito.

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