Postais do Exílio (91): A Pensão Larchaux

Em Ataranto, onde eram proibidos os restaurantes, a maioria das pessoas resignava-se a preparar sua própria comida. Havia, porém, quem não se contentasse. Para esses, sempre restava a Pensão Larchaux.

Oficialmente, Madame Larchaux dirigia um bordel, um dos muitos existentes em Ataranto, com registros oficiais e tudo o que era preciso. Mas os aromas que a casa exalava não enganavam ninguém, deixando claro que os prazeres do corpo que seus rapazes e moças ofereciam iam muito além do permitido pela lei, e incluíam entradas, massas, carnes, molhos. Para os mais ousados, até sobremesas.

Entre os clientes, além dos incapazes de cozinhar, havia cidadãos de respeito (até mesmo autoridades, como a arcebispa e seu marido), que frequentavam a casa em busca de pratos com temperos diferentes. Fantasias para apimentar o dia-a-dia.

Madame Larchaux, ela mesma, cozinhava apenas para um círculo restrito de amigos, uma vez por semana.

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