Criptoetimologia (48): Estabanada

Stabat mater dolorosa,
iuxta crucem lacrymosa,
dum pendebat filius

“Estava a mãe dolorosa junto à cruz lacrimosa, da qual pendia seu filho”, dizem os primeiros versos do Stabat Mater, hino católico escrito no século XIII por Jacopone da Todi. A letra se tornou uma das mais populares da música sacra, ganhando novas melodias de autores como Palestrina, Scarlatti e Vivaldi. E, no Brasil, por João de Deus de Castro Lobo (1794-1832).

Foi a versão de Castro Lobo que influenciou a língua portuguesa.

Já era o tempo da Regência, após a renúncia do imperador Pedro I. Dona Ernestina Vieira, a Marquesa de Mariana, era uma grande apreciadora das artes e da música. Por isso, logo após a morte de Castro Lobo, decidiu oferecer um recital em homenagem ao compositor. E ela mesma fez questão de cantar o Stabat Mater.

Porém, se a marquesa amava a música, esse amor não era correspondido. E logo nos primeiros versos a audiência se espantou com a voz esganiçada e desafinada. Para piorar, a marquesa, nervosa, errou a letra: em vez de “Stabat mater dolorosa”, cantou “Stabat nada dolorosa”, o que além do mais não queria dizer coisa alguma.

“Estabanada dolorosa” foi como os fidalgos de Mariana e arredores passaram a se referir à cantora. E “estabanada” virou sinônimo de pessoa desajeitada, sem preparo.

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