Criptoetimologia (45): Maconha

O nome mais popular do cânhamo em Português vem de um erro.

Em meados do século XVI, quando a Cannabis foi trazida da África para o Brasil, era conhecida como bangue. E “os grandes capitães”, escreveu Garcia da Orta nos seus Colóquios dos simples e das drogas das Índias, de 1563, bebiam o suco tirado das folhas amassadas em água,  e “acostumavam embebedar-se com este bangue, pera se esquecerem de seus trabalhos, e nam cuidarem, e poderem dormir”.

Ocorre que entre os fidalgos lusitanos havia aqueles que não queriam adotar o nome usado pelos negros; entre eles, muitos mais conhecedores dos clássicos do que das plantas; e que, portanto, sem saber do que falavam, julgaram que aquele suco era o meconion do botânico grego Teofrasto, o virtuoso mecon citado por Hipócrates e receitado por Galeno. Aquele, porém, nada mais era que o suco da papoula. Ópio.

Aportuguesaram o meconion para maconha. E a confusão virou regra. Coisa de maconheiro.

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