Criptoetimologia (43): Cédula

O papel-moeda, como se sabe, foi inventado na China. Na Europa, foi só no século XIV, depois das viagens de Marco Polo (1254-1324) e seus relatos do Oriente, que banqueiros italianos e holandeses resolveram adotar a ideia. Com resistências, é claro. Nem todos se convenciam de que um pedaço de papel poderia valer a mesma coisa que um punhado de ouro.

Contribuiu para a aceitação o conceito criado pelo conselheiro Ermolao Donà (?-1450), um membro do Conselho dos Dez que assessorava o oge de Veneza. Foi ele quem, num tratado sobre o comércio, chamou os papeizinhos de cellula dura laborem, “pequena cela sólida do trabalho”, querendo com isso dizer que as notas eram o local onde habitava o (valor do) trabalho. Ou seja, a materialização do capital.

(Séculos mais tarde, Marx se inspiraria na obra de Donà, que conheceu na biblioteca do Museu Britânico. Mas isso é outra história.)

E a cédula? A cédula, ora, é uma abreviação criada também por Donà, formada pelas primeiras sílabas de cellula dura laborem.

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