Dramatis Personæ (132): Ingrid e Téo

Aprenderam, cada um a seu tempo e cada um a seu jeito, que a vida após a morte é antes de tudo monótona. Limitados a andar apenas pelos mesmos lugares por onde haviam andado quando vivos, ver as mesmas coisas, dizer as mesmas palavras (ele, particularmente, nunca fora muito de falar, e nunca saíra de sua cidade natal). Depois de alguns séculos, as possibilidades de combinação se esgotam.

Foi a surpresa de ainda poderem se surpreender que primeiro os encantou quando descobriram um ao outro, e descobriram uma atração que dificilmente teria acontecido em vida – ela morrera aos 73 anos de idade, apenas oito anos depois de ele nascer.

Hoje tentam aproveitar ao máximo o pouco que a eternidade lhes permite, já que podem se ver apenas no minúsculo espaço que ambos conheceram em vida: a estação de trem da cidade de Téo, por onde Ingrid passara rapidamente numa viagem.

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