Postais do Exílio (75): Templo de Lugong

O pagode no alto da colina impressiona pela harmonia de suas colunas e arcadas, pelos mosaicos nas paredes que contam a história dos dez mil mundos que existiram antes do nosso, pelo telhado recurvado sobre o qual quatro dragões poderiam se aninhar caso suportassem a proximidade uns dos outros.

Mas não é por isso que o lugar é famoso ou que recebe tantos peregrinos.

O templo de Lugong foi construído há três mil e seiscentos anos em torno de uma vela. Uma solitária vela, a única fonte de luz presente em seu interior. Toda vez que ela chega perto de se extinguir, uma nova vela é acesa em sua chama, em substituição.

Porque, no dia em que a vela de Lugong se apagar, este mundo acabará (e outros dez mil virão em sequência).

Os monges que zelam pela segurança do nosso mundo tomam o máximo das precauções quando se aproximam da vela. Ao longo dos séculos, muitos chegaram a morrer por prender a respiração com medo de apagar o fogo sagrado.

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