Postais do Exílio (74): Nan I Sun

Pelo menos duzentos anos de Heráclito de Éfeso proclamar que ninguém entra duas vezes no mesmo rio, viveu no vale do Yang-Tsé o sábio Huan-sei, que pregava que tudo na vida é transitório e fugaz, e que o mundo é mutação e impermanência.

Foi Huan-sei quem iniciou a construção do Nan I Sun (em tradução aproximada, “o centro da eterna mudança”) na cidade de Xenlian. Conta-se que ele traçou um risco no chão com seu cajado, e pediu aos seus discípulos que, um a um, modificassem o que havia feito. Um deles riscou outra linha; outro amontoou três pedras sobre o terreno riscado; um terceiro cobriu com um pano o monte de pedras, e assim por diante.

Ao longo dos milênios, o Nan I Sun já foi uma torre, um muro coberto de desenhos, uma casa, um monte de ruínas, um buraco no chão, um espaço vazio. Segundo as instruções deixadas pelos seguidores de Huan-sei, toda pessoa que visita o lugar deve acrescentar, retirar ou modificar alguma coisa. E assim prossegue a eterna mutação.

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