Biografemas (5): Santuyá

Sancho de Tovar (1470-1545) foi o capitão da caravela El-Rei, a nau sota-capitânia da esquadra de Pedro Álvares Cabral em 1500. A importância do posto basta para mostrar a reputação de que gozava em Portugal. Entretanto, após a viagem do Descobrimento, sua carreira entrou em decadência. Terminou seus dias na feitoria de Sofala, hoje Moçambique.

A carta de ero Vaz de Caminha narra que Tovar foi, dos navegantes portugueses, quem mais se interessou pelos índios brasileiros. Levou dois deles para a sua nau, onde serviu-lhes vinho. Arrependeu-se. Quando depois Cabral quis oferecer vinho aos dois, Tovar aconselhou que não o fizesse, pois “que o não bebiam bem”.

E isso é tudo o que Caminha nos diz sobre o encontro de Tovar com os nativos.

Porém, entre as tribos que habitavam o sul da Bahia, contava-se a lenda do Santuyá, o espírito que primeiro ofereceu a “água de fogo” aos tupiniquins; de como estes, embriagados, viram o futuro e amaldiçoaram o Santuyá; de como este se enfureceu e os mandou castigar; de como os índios voltaram à sua aldeia e contaram a destruição que viria para o seu povo, mas também que o grande Nhanderuvuçu puniria com a desonra o mau espírito Santuyá.

E essa é a história que Caminha não contou.

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