Bestiário (88): Paavur

Entre os povos que conhecem (e temem) essa besta, não existe sentença pior do que ter sua cabeça cortada e abandonada aos animais carniceiros. Porque é certo que o paavur virá e o comerá.

Quando o paavur come o corpo de um morto (e nem precisa ser o corpo todo, quase sempre basta a cabeça), a sua lembrança desaparece do meio dos vivos. Nem seus filhos, nem seus amigos, ninguém mais lembra que tal pessoa existiu.

Às vezes o paavur vem abrir túmulos à noite, para comer os defuntos enterrados. Por isso, o mais seguro é cremar os corpos quando se quer preservar a memória do morto.

Dizem também que, ao comer o cérebro dos mortos, o paavur consegue absorver suas lembranças. Quem come um paavur recupera todas as memórias de homens e animais que o habitavam, e então se torna ou um louco, ou um sábio ou um Ruvi (“narrador”), um mestre das histórias.

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2 Respostas para “Bestiário (88): Paavur

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