Postais do Exílio (69): Praia de Arminda

Em 1883 a praia recebeu o primeiro aterro, após a derrubada de um morro que ficava nas proximidades. E o mar começou a ficar mais longe dos casarões que antes se debruçavam sobre a orla.

O processo continuou no início do século XX, em parte provocado pela própria dinâmica das marés, alterada pela mudança no fundo do mar. Areia e sedimentos das praias mais ao sul foram se depositando em frente à igreja da Arminda, alargando a praia.

Nos anos 50, a rua formada pelo primeiro aterro precisou ser ampliada, para melhor escoar o fluxo de automóveis. Já não era mais possível ver o mar de onde antes as ondas batiam.

Cerca de 20 anos atrás, para resolver a grave crise sanitária da cidade, ergueu-se um morro de lixo compactado e recoberto de cimento, separando de vez o novo traçado da orla da antiga praia de Arminda.

Até para quem conhece toda essa história é difícil entender porque aquela avenida ainda se chama Praia da Arminda. E mais ainda: por que os moradores do bairro caminham pela calçada de bermuda e chinelos, como se estivessem indo ao banho de mar, apesar de terem nascido quando não havia mais nada da praia a não ser o nome.

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