Postais do Exílio (68): Casa de Hamujin

Hamujin era considerado por muitos não apenas um profeta, mas um homem santo, embora ele mesmo risse de um e outro título. Transcendendo o Budismo, ele ensinou que sim, tudo passará, nada é permanente – mas por isso mesmo tudo deve ser construído e reconstruído para que possa mais uma vez passar.

Da primeira vez que estive em sua aldeia natal e vi a sua casa, convertida em local de peregrinação, o que me impressionou foi a rusticidade do lugar, uma mera cabana de palha como tantas outras naquela localidade. Mas era o que se poderia esperar de alguém nascido na pobreza.

Quando voltei, um ano depois, a sensação foi de estranheza. Eu não reconheci a cabana, e nem encontrei a fonte que, poderia jurar, jorrava a poucos metros dela.

Na terceira vez, não encontrei a casa. Perguntei aos discípulos e eles me apontaram para uma cabana afastada da aldeia, no alto de uma colina. Irritei-me, disse que estavam tentando me enganar. Eu não era um mero turista, já havia visitado a casa do mestre duas vezes e sabia que ela não ficava numa colina.

Foi quando me explicaram que, todos os anos, a monção destrói a cabana. E todos os anos ela é reconstruída, em locais sempre diferentes, de forma diferente, mas sempre é aquela a casa de Hamujin.

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