Dramatis Personæ (106): Bandeira

Um dos melhores árbitros de futebol que o país já conheceu, Bandeira no entanto jamais apitou um clássico, uma decisão de campeonato num Maracanã lotado, um grande jogo internacional. Por vontade própria. Sempre fez questão de se restringir às peladas mais rasteiras das segundas divisões por aí afora.

Questão de justiça, argumentava. Jogo de clube grande qualquer um podia arbitrar. Havia a imprensa em cima, as torcidas. Mas para enfrentar os campinhos de interior, com jagunços na saída, jogadores semiamadores sem nada a perder, aí sim era preciso um homem da sua coragem, envergadura moral e capacidade técnica. Justiça seja feita: nunca recuou. E nunca encontrou quem o dobrasse.

Seu único problema era em jogos do Canto do Rio.

Torcedor confesso do clube de Niterói, fazia questão de marcar logo no início do jogo um pênalti inexistente. Contra o Canto do Rio. Era a sua forma de compensar os erros a favor que, mesmo de forma inconsciente, involuntária, com certeza viria a cometer dali para a frente.

Os jogadores reclamavam do mesmo jeito. Mas ninguém era capaz de peitar o Bandeira.

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