Jam (12): A Balada do Lobisomem

O Lobisomem é inevitável como a sucessão das luas e o medo do escuro
(Laerte)

Ele veio, noite alta,
Exalando feromônio
Eu me fiz de moça incauta
E cedi a tal demônio

Ele me cravou os dentes
Ele me marcou com as garras
Me beijou com a boca quente
Fez as coisas mais bizarras

Saiu sem raiar o dia
Como todos os amantes
Mas a ardência que eu sentia
Não sentira nunca antes

Procurei por toda a parte
Mas não encontrei seu rosto
Só achei amor sem arte
Só achei beijos sem gosto

Foi na outra lua cheia
Que ele me surgiu do nada
Não pensei nem vez e meia
Me agarrei, apaixonada

Ele me cravou os dentes
Ele me marcou com as garras
Me beijou com a boca quente
Fez as coisas mais bizarras

Dessa vez tomei cuidado
Tranquei portas e a janela
Mas de manhã do meu lado
Só vi um moço magrela

Ele confessou que era
Controlado pela lua
Que o fazia besta-fera
Predador de carne crua

Entendi a sua sina
Escutei todo o seu pranto
Na figura ali franzina
Descobri um outro encanto

Hoje eu lhe cravo os dentes
Hoje o marco com as garras
Com a minha boca quente
Faço as coisas mais bizarras

Na lua cheia ele me caça
E me arrasta pelo chão
Depois, quando o efeito passa
Sou sua loba, ele é meu cão

2 Respostas para “Jam (12): A Balada do Lobisomem

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