Criptoetimologia (26): Favela

Em latim, havia duas palavras para a destruição causada por um incêndio. Uma era cinis, de onde veio “cinza”, e que se refere às cinzas mortas, frias, depois do fogo extinto. A outra era favilla, significando as cinzas ainda vivas e ardentes, como nos primeiros versos do “Dies iræ”:

Dies iræ! dies illa
Solvet sæclum in favilla
Teste David cum Sibylla!¹

Foi Suetônio (69-141) quem, numa carta ao imperador Adriano (117-138), lamentou a situação dos romanos empobrecidos que viviam do outro lado do Tibre, e comparou seus casebres às ruínas de uma cidade em chamas (favilla). Desde então o termo foi usado metaforicamente para falar de qualquer aglomerado de habitações em que faltassem as condições de vida da urbis. E, em português, favela acabou tendo apenas este sentido, e não mais o original.


¹ “Dia da Ira, aquele dia/Em que os séculos se desfarão em cinzas,/Testemunham Davi e a Sibila!”

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