Dramatis Personæ (88): Simão de Alexandria

O heresiarca Simão foi condenado pelo Concílio de Niceia, por defender que o mundo não teria fim. No entanto, suas teses eram perfeitamente lógicas, como demonstra um resumo de sua argumentação:

1 – Conhecimento é poder;
2 – Deus conhece o passado, o presente e o futuro; é onisciente, portanto onipotente;
3 – O Diabo, por sua vez, conhece apenas o passado e o presente (embora possa se passar por profeta, já que sua informação acumulada e sua grande astúcia lhe permitem deduzir muito do que está por vir);
4 – Logo, quanto mais o tempo passa, mais semelhante se torna o conhecimento (e portanto o poder) de Deus e o do Diabo;
5 – Ambos, de fato, seriam idênticos no Fim dos Tempos;
6 – Logo, o tempo deve ser infinito.

Condenado à fogueira, Simão amaldiçoou seus juízes afirmando que o homem que busca o conhecimento comete o mesmo pecado de Lúcifer, de tentar se igualar a Deus.

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