Meninos, eu li (1): A trilogia de Nova York

Paul Auster - A trilogia de Nova YorkDefeito meu: leio pouco ou quase nada de autores novos. E Paul Auster nem é tão novo assim. A Trilogia é de 1986, mais de 20 anos atrás. Mesmo assim, só li porque ganhei de presente. E valeu muito a pena.

Começa com um escritor bancando o detetive que aos poucos se transforma no homem que deveria seguir. A segunda história é sobre um detetive contratado para seguir um escritor e que acaba também se transformando nele. Na terceira, um escritor investiga o desaparecimento de um amigo até que… Nessa hora você se irrita com a repetição e previsibilidade das tramas. Mas leva um nó na sequência.

Porque desde as primeiras páginas de “Cidade de vidro” está na cara que Auster não quer contar historinhas policiais. E tome citação, referência cruzada, metalinguagem e o escambau pra demonstrar as teses (ou pelo menos propostas) do autor: a literatura é inútil como representação do mundo e deve ser tanto quanto possível auto-referente. Um bom livro deveria falar sobre nada. O ideal seria não ter trama, nem personagens.

Os escritores-detetives usados como alter-egos pelo autor, apesar de todo o seu esforço, não conseguem chegar a provar que seja assim. Mas, pelo menos, mostram que isso seria possível.

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Uma resposta para “Meninos, eu li (1): A trilogia de Nova York

  1. Você é tão inteligente! Eu gosto de Paul Auster porque eu não entendo nada. Meio uma coisa David Lynch com ele.

    R. Tem a ver, né? Mas eu fiquei com medo do David Lynch depois que ele começou a dar aquelas palestras.

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