Era uma vez (4a): O fio de ouro

(Continuando da semana passada)

Ao ouvir um pedido tão inusitado, o grão-vizir hesitou. O fio de ouro, e com ele a esperança de riquezas sem conta, bem que valia o pedido. Ao mesmo tempo, não queria abrir mão de coisa alguma em seu palácio, até porque também não havia certeza absoluta de que seria capaz de capturar um gênio.

Assim, depois de longos minutos alisando a barba, respondeu:

— Concedido. Volte daqui a três dias.

Nasir agradeceu pela generosidade do cliente e se retirou fazendo mil mesuras e reverências. Três dias depois, conforme fora combinado, dirigiu-se ao palácio, ao anoitecer. Um criado abriu a porta e mandou que entrasse.

Foi uma decepção. Os salões que antes se mostravam forrados de luxuosos tapetes, cortinas, móveis, baixelas, luminárias e diversos outros itens, agora estavam nus. O palácio era um deserto.

— O que é isso? Onde estão os tesouros do grão-vizir? — perguntou.

— Ele mandou que tudo fosse retirado para um depósito na entrada da cidade. Os carregadores levaram três dias para esvaziar tudo. A última arca com os trajes de gala acabou de ser levada — respondeu o criado, enquanto fechava as portas. — Tenha uma boa noite — acrescentou, trancando Nasir no interior do palácio vazio.

Nosso herói sentou-se no chão de mármore. Sentiu-se traído e abandonado, na escuridão dos salões iluminados apenas pelo luar que atravessava as janelas. Apoiou-se numa coluna e adormeceu.

No dia seguinte, acordou com os primeiros raios do sol. E estava de pé, aprumado, quando o vizir entrou à frente dos carregadores que traziam de volta os seus tesouros.

— Então, ourives? Está satisfeito com a barganha?

Nasir abriu o maior sorriso que pôde, deu duas piruetas e uma cambalhota e exclamou:

— Que Alá o abençoe, luz dos povos! Consegui o maior bem que poderia almejar. Volto para casa mais rico do que jamais sonhei.

— O que escolheu, afinal? — perguntou o avarento grão-vizir, já supondo que alguma jóia poderia ter ficado esquecida no palácio. Imaginava as prisões e torturas reservadas para o pobre coitado que fosse responsável pela distração.

E na próxima semana saberemos qual foi a recompensa do ourives.

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