Era uma vez (4): O fio de ouro

Era uma vez, na cidade de Bagdá, na época do califa Harum al-Rachid, um ourives chamado Nasir. Um dia, ele viu entrar em sua modesta oficina ninguém menos que o grão-vizir.

– Em nome de Alá! – disse o ilustre visitante. Já consultei os melhores ourives de Bagdá, e nenhum deles se considerou capaz da tarefa que lhes encomendei. Será que tu, Nasir, ousarás aceitá-la?

O artesão sequer piscou. Podia não ser o mais afamado entre seus colegas de profissão, mas confiava em suas habilidades. Por isso, mostrando-se muito seguro, respondeu:

– Diga o que deseja, senhor. Eu o farei ou morrerei tentando.

O grão-vizir então depositou sobre o balcão uma barra de ouro do tamanho da sua cabeça.

– Desejo – explicou – que esta barra seja transformada em um fio de ouro, mas que seja tão fino que somente possa ser visto quando brilhar à luz do sol.

– Assim será – prometeu Nasir. – Mas, se não for excesso de impertinência deste humilde trabalhador, posso perguntar para que será usado esse fio tão excelso, a fim de que meus esforços possam ser direcionados ao fim desejado?

O grão-vizir olhou para os lados, certificando-se de que ninguém o ouviria. Aproximou os lábios do ouvido de Nasir e sussurou-lhe:

– Sabe, ó ourives, que segundo os sábios e os alquimistas foi com um fio assim que Salomão capturou e subjugou à sua vontade os gênios que vagavam então pela terra fazendo toda espécie de mal aos filhos de Alá. É minha intenção eu mesmo caçar também um deles para me servir.

Dizendo isso, deu as costas e deixou a oficina. No mesmo instante, Nasir fechou as portas. Trabalhou sozinho durante três dias e três noites, e então dirigiu-se ao palácio.

Informado da chegada de Nasir, o grão-vizir mandou que ele entrasse. Recebeu-o em seu salão, onde o ourives abriu o fardo que trazia e revelou a barra de ouro inteiramente transformada num fio finíssimo, tal como fora encomendado.

– Magnífico! – elogiou o vizir. – Chego a duvidar de que o próprio Salomão, que Alá o tenha em sua glória, jamais haja usado material tão delicado. Diz o teu preço, ourives, e será pago.

O ourives baixou a cabeça e respondeu:

– Tamanho elogio já seria pagamento bastante, para não falar da alegria de trazer satisfação a meu senhor. No entanto, sou obrigado por força das regras da minha profissão a cobrar um preço pelo serviço. O que desejo é pouco, farol da sabedoria: quero apenas passar uma noite em vosso palácio, e ao fim escolher um tesouro para levar comigo.

E na próxima semana saberemos qual foi a resposta do grão-vizir.

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Uma resposta para “Era uma vez (4): O fio de ouro

  1. só semana que vem?????

    R. Porque sou eu. Se fosse o Peter Jackson, demorava um ano.

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