Dramatis Personæ (85): Han Su

Das mãos de Han Su saíram as mais finas e delicadas peças de seda já vistas em todos os tempos.

Eram tão leves e macias que escorregavam entre os dedos. Por isso a imperatriz Guang Xi decidiu que o Trono deveria ter os produtos de Han Su com exclusividade. As sedas saíam da tecelagem do artesão diretamente para o vestuário dos concubinos da imperatriz. Diz a lenda que ela precisava apenas olhar para eles para fazer a seda deslizar e deixar seus corpos nus¹.

Mas Han Su ainda não estava satisfeito. E se aperfeiçoou de tal modo que teceu uma seda tão delicada que ninguém conseguia segurá-la. Ela simplesmente deslizava como água entre os dedos².

A imperatriz mandou que Han Su voltasse a produzir sedas não-tão-perfeitas, mas ele se mostrou incapaz de regredir. Preferiu o suicídio.


¹ Daí surgiu a expressão “despir com os olhos”, hoje corriqueira na nossa  e em diversas outras línguas.

²Andersen atribuiu a ideia original de seu conto “A roupa nova do imperador” ao príncipe espanhol Don Juan Manoel (1277-1347). Contudo, a lenda espanhola já era influenciada por relatos de viajantes sobre a seda intocável de Han Su.

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