Biblioteca de Babel (43): Heindeniana

Frans van Heinden (1651-1692) pode ser o menos conhecido pintor da Era de Ouro holandesa, e talvez até o pior deles. Certamente, ficou muito aquém de Rembrandt, Vermeer ou mesmo Ruisdael. Mas só recentemente se descobriu que sua grande obra não foi a pintura, e sim o romance.

Em todas as telas de Van Heinden aparece alguém lendo um livro. Nada demais para alguém que tinha como amigos intelectuais do porte de Baruch Spinoza. Nos últimos anos, porém, técnicas avançadas de digitalização de imagens permitiram ler o que pareciam ser apenas borrões nas páginas pintadas. E o que surgiu foi um romance inédito, ao que tudo indica escrito pelo próprio pintor.

Na falta de título, a obra é chamada de “Heindeniana” pelos estudiosos. O romance trata da vida na Delft do século XVII com riqueza de detalhes e uma aguda crítica social. Infelizmente, Heinden não chegou a concluir seu livro, tendo morrido antes de pintar as páginas finais. Além disso, várias telas com trechos fundamentais se perderam, especialmente no incêndio do Museu de Utrecht.

Especula-se com a possibilidade de que haja um manuscrito com os originais da Heindeniana. Mas a maioria dos críticos acredita que o autor escreveu diretamente nas telas.

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Uma resposta para “Biblioteca de Babel (43): Heindeniana

  1. Gostei muito.

    R. Imagina se tivesse lido ela inteira.

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