Postais do Exílio (48): Camarcândia

O palácio foi construído pelo sultão Ashamahar III em homenagem à sua noiva. São torres e mais torres de mármore, com cúpulas douradas. Água das montanhas escorre por canaletque percorrem toda a construção, alimentando cascatas em sete jardins que representam os sete reinos oferecidos como dote pela mão da princesa. No pórtico de entrada foram gravados em ouro os versos da mais bela canção de amor já composta, e cuja execução foi proibida daquele dia em diante, tornando-se exclusiva do sultão para cantar à sua amada.

Que, porém, nunca existiu.

Pressionado para casar-se e engendrar herdeiros, Ashamahar III retardou o quanto pôde a sua obrigação. Vendo que não poderia mais escapar, mandou construir Camarcândia e anunciou seu casamento com uma princesa de um reino distante. Da noiva, ninguém jamais viu mais do que a liteira trazida ao palácio, coberta por pesados cortinados.

O palácio foi, até o fim da vida do sultão, o seu álibi, esconderijo e cárcere. Dizem que ali vivia com seu amante, um condutor de elefantes.

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