Histórias reais (14): A aranha

No início havia apenas homens e mulheres. E, quando uma pessoa morria, seu espírito se transformava num animal. Os primeiros que surgiram foram o coelho, o búfalo, o morcego, o besouro, o cágado, o abutre, o carcamuz e o macaco. Depois vieram os outros todos, os da terra, da água e os do ar.

Os bichos eram poucos, e não incomodavam as pessoas. Mas aos poucos começaram a aparecer mosquitos, cobras, percevejos, ratos e outras pragas. Eram fruto daqueles que não queriam morrer e se tornavam estorvos aos vivos.

Todos viram que, se alguém não resolvesse o problema, em breve as pestes acabariam com a raça humana. O ideal seria se ninguém mais morresse. Mas isso era impossível.

Então uma mulher muito velha, que estava doente e às portas da morte, disse:

– Podem deixar. Eu sei o que fazer.

E prometeu que, depois de morrer, cuidaria para que mais nenhum espírito se transformasse em bicho, fosse bom ou ruim. Quando todos concordaram que era uma boa solução, ela fechou os olhos e morreu. No dia seguinte surgiu a aranha e teceu a sua teia, onde ficam presos os espíritos.

É por isso que ninguém deve fazer mal às aranhas e nem destruir suas teias.

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