Bestiário (51): Camuche

O cão pode ter sido a primeira espécie domesticada. Mas o primeiro animal de companhia, precursor de todos os que conhecemos hoje, foi o camuche.

O pequeno roedor habitava as montanhas da Aracósia (atualmente um território dividido entre o norte da Índia, o Paquistão e o Afeganistão). É verdade que não deixava de ser também um animal criado por sua utilidade. Esta, porém, estava diretamente ligada ao seu caráter de bicho de estimação.

O camuche dava sorte. Mas só àqueles de quem gostava.

Os aracósios logo descobriram isso e passaram a cuidar bem do animalzinho. Crianças eram especialmente beneficiadas pelos seus bons fluidos. E quem tentava usá-los apenas para ganhar dinheiro, sem realmente se afeiçoar à mascote, não obtinha resultado algum.

Foi o que Alexandre Magno descobriu ao invadir o país e anexá-lo ao seu império — porque nem todos os camuches do mundo podiam resistir a um exército tão formidável. Foram várias tentativas de ganhar a afeição de um dos bichinhos, todas frustradas.

O imperador, então, agiu como já fizera ao cortar o nó górdio. Já que ele não conseguia receber a boa sorte dos camuches, mandou exterminá-los. E assim o pobre roedor tornou-se a primeira espécie deliberadamente extinta pelo homem.

Algumas peles e camuches empalhados foram usados ainda por algum tempo como talismãs. E deles surgiu a superstição de que pés de coelho dão sorte.

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