Desejos

hermes.jpg É natural que a primeira avaliação de desempenho provoque um friozinho na barriga. E um sentimento de alívio depois de passar por ela — e bem. Mas depois vem a constatação de que, por melhor que você tenha se saído, ainda não passou do primeiro degrau na sua escalada.

Porque a verdadeira medida de poder e prestígio não está no valor (ou mesmo no percentual) da sua Gratificação de Desempenho. Nem nos cargos e suas siglas esotéricas. Há coisas muito mais importantes. Coisas que você só aprende a perceber (e valorizar) quando entra para o serviço público.

Não se engane: o real parâmetro de poder e prestígio está nos perfuradores de papel.

O meu, por exemplo. É pequeno, daqueles que furam apenas meia dúzia de folhas de cada vez. No máximo, oito. Oito folhas! Não é nada num processo. O que fazer quando chegam aquelas cópias de autos com dezenas de documentos anexos? Ainda por cima, está velhinho e não funciona muito bem. O furo de cima sai certinho, mas o de baixo… Tem que ficar apertando e reapertando para ter certeza de que os papéis vão sair prontos para serem arquivados.

Mas basta olhar para a mesa do lado e ele está lá. Um legítimo 565000 Maped. Prata! Um verdadeiro rolls-royce dos perfuradores. Cento e cinqüenta folhas, sem nenhum esforço — eu aposto que a lâmina é de liga de titânio.

Por enquanto, só me resta suspirar. Mas chefias vão e vêm, cargos de confiança mudam, a maré vira, e um dia aquela mesa pode ficar vazia.

Quando isso acontecer…

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