Dramatis Personæ (58): Vlaclav Smoček

De todos os prodígios da música tcheca contemporânea, nenhum conseguiu o seu brilho. É unanimemente apontado como o maior tourneur de pages vivo, e só mesmo os críticos mais tradicionalistas ainda se recusam a considerá-lo o maior de todos os tempos, insistindo na preferência por Giacomo Zambini (1857-1912), de cujas performances porém não há muitos registros.

Ganhou fama ainda aos 17 anos, dando provas de seu virtuosismo. Como na noite em que, sozinho, virou as páginas das partituras de todos os músicos da Filarmônica de Berlim. Mas aos poucos o enfant terrible dos palcos deu lugar a um concertista que levou a viração de páginas a requintes jamais vistos antes num palco.

O imenso talento de Smoček só se compara ao seu rigor e ao preciosismo que demonstra em seus concertos. Recentemente, irritou-se com um pianista com quem se apresentava interpretando o Concerto nº 3 de Rachmaninoff, ao perceber que o músico não apenas conhecia a peça de cor mas sequer olhava para as páginas. Com profissionalismo, apesar da grave ofensa, manteve-se em seu posto até o fim. Recebeu a maior ovação de sua carreira, ostensivamente dando as costas ao pianista.

Seus álbuns estão entre os mais vendidos das paradas de música de concerto desde 1993.

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