Postais do Exílio (29): Naurimaã

Se é verdade que ninguém entra duas vezes no mesmo rio, é mais certo ainda que não se entra duas vezes na mesma Lagoa de Naurimaã. Porque toda pessoa que se banha nela muda a cor de suas águas.

Nos tempos áureos, dizem, a lagoa era de um azul profundo, porque só pessoas felizes e sinceras tomavam banho em Naurimaã. Mas  não há registros confiáveis e isso pode ser apenas uma lenda. O fato é que nos períodos de maior pessimismo e apreensão a lagoa tomou um tom marrom. Chegou a se aproximar do vermelho na época da ditadura. Um alegre bando de jovens que acampou por ali por volta de 1966 chegou a recuperar um pouco do antigo azulado. Hoje, muitos deles estão de volta mas não conseguem mais do que um amarelado pálido e repugnante.

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