Postais do Exílio (20): Jarcuk

O gigantesco tabuleiro de xadrez hoje serve apenas para jogos. Mas já foi bem diferente.

De dez em dez anos, os condenados à morte em Jarcuk e nos burgos próximos eram trazidos ao local e vestidos com roupas brancas e negras. Assumiam as posições das peças no tabuleiro e eram obrigados a seguir o comando de dois enxadristas postados nas torrinhas colocadas atrás das linhas. Todos armados de punhais: quando uma peça tomava outra, o próprio prisioneiro executava o oponente.

Ao fim do jogo, os sobreviventes eram anistiados. Com exceção do rei derrotado, que ainda passava por um mês de humilhação pública no pelourinho, instalado também junto ao tabuleiro. De qualquer forma, os jogos raramente terminavam com mais de cinco “peças” vivas.

O costume cruel foi abolido no século XIX (mas a pena de morte, por enforcamento e depois fuzilamento, se manteve no país até pouco depois da Segunda Guerra Mundial). Dele restam apenas as manchas de sangue nos quadrados de mármore brancos e negros.

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