Postais do Exílio (10): Ruínas de Kamalakan

Kamalakan foi a maior cidade-monumento do Oriente.

Todos os seus reis foram arquitetos. Quando um deles morria, o sucessor era escolhido pelos membros do Colégio de Arquitetura: o eleito seria aquele que apresentasse o melhor projeto de um novo monumento para a cidade-estado.

Daor erigiu um obelisco; Anaor, um arco do triunfo; Ecleo, um colosso; Darissa I, uma pirâmide, que sua filha Darissa II completou com uma esfinge guardiã; Gazul, uma torre de onde caía uma cascata permanente; Erena, um templo dedicado aos antepassados; Dão, um palácio com portas de bronze.

No dia em que os portões foram colocados em seus gonzos, as tropas de Sargão I da Acádia chegaram. E arrasaram palácio, templo, torre, esfinge, pirâmide, colosso, arco e obelisco.

O colégio de arquitetos, ou o que sobrou deles, decidiu que as ruínas eram a mais perfeita obra jamais criada em Kamalakan, devendo permanecer como estavam por toda a eternidade. Então, proclamaram Sargão como seu último rei.

Nunca mais outro monumento foi erguido sobre a cidade arrasada.

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