Arquivo da categoria: Postais do Exílio

Postais do Exílio (131): Tormelina

Em Tormelina construíram um vulcão artificial.

Não um reles brinquedo como o “Vesúvio alemão” de Leopold III von Anhalt-Dessau (1740-1817), cujas explosões eram criadas por pirotécnicos. Um vulcão autêntico, com um canal escavado do topo de uma colina até encontrar o magma subterrâneo.

A primeira erupção foi um sucesso. Aliás, todas as outras também, tecnicamente falando. Infelizmente, porém, não foram o suficiente para atrair turistas no volume que fora planejado quando se aprovou o projeto do vulcão.

Atualmente, a prefeitura de Tormelina estuda a hipótese de um festival à beira da cratera, com sacrifício de virgens. Provavelmente com virgindade também artificial.

Postais do Exílio (130): Escola das Artes Inúteis

Como bem indica o próprio nome, a Escola das Artes Inúteis oferece cursos de formação em diversas especialidades que, devido aos avanços técnicos ou sociais, perderam qualquer aplicação prática  se é que algum dia já a tiveram. Ali se ensina a preparar tábuas de argila para escrita cuneiforme, liturgia para rituais do culto a Arany Atyácska, etiqueta para jantares de gala na Roma da época de Tibério e navegação em caravelas.

Há um forte departamento de línguas extintas.

Da escola saíram alguns dos maiores poetas dos nossos tempos. A maioria nega ter frequentado suas aulas.

Postais do Exílio (129): Azenha de Offyre

Localizado na margem do rio de mesmo nome, o moinho d’água é o único no mundo que, em vez de ter suas pás movidas pela correnteza, move-se sozinho e é o verdadeiro responsável por fazer o rio correr.

Numa ocasião, em 1717 (era uma sexta-feira da Paixão), a azenha deixou de girar. Por cinco horas as águas do rio Offyre se estagnaram. Felizmente o movimento recomeçou antes que o pânico se instalasse na região.

Postais do Exílio (128): Túmulo de Abudar

Pouco antes de morrer, Abudar (o oitavo cazafrás do império) deixou instruções precisas quanto ao monumento fúnebre que deveria ser erguido em sua homenagem. O mausoléu deveria ter paredes de mármore, com portões de oricalco cravejados de safiras. Em toda a volta deveriam ser postadas estátuas de bronze de guerreiros em tamanho natural, cento e quarenta e quatro ao todo. Na câmara interna, no local onde seria depositado o corpo de Abudar, haveria outra estátua, esta inteiramente feita de ouro, representando o monarca em sua chegada gloriosa à morada dos deuses. Era um projeto tão grandioso que apenas para iniciar a sua construção seria preciso consumir todo o tesouro arrecadado  com os impostos escorchantes estabelecidos por Abudar nas duas décadas do seu reinado, e a conclusão custaria pelo menos mais quatro décadas de igual esforço.

Em vez disso, enterraram o corpo e cobriram o local com uma laje em que foi gravado o nome do soberano.

Postais do Exílio (127): Museu das Obras Futuras

O MOF, como é conhecido, expõe apenas trabalhos que ainda serão produzidos. Nas paredes das galerias, os visitantes podem apreciar os espaços identificados por plaquinhas com o nome dos artistas que contribuem generosamente para o museu, acompanhados dos nomes das peças que estão criando. Toda vez que uma obra é completada, deixa imediatamente o museu.

Há uma ala inteira do MOF destinada exclusivamente a artistas que ainda nascerão.

Postais do Exílio (126): Terra dos Gatos

Porque faltava eu postar aqui.

TerradosGatos

Da Cazel, por encomenda da Telinha, que nos deu de presente.

Postais do Exílio (125): Auto Posto Estela

No Auto Posto Estela não há bombas de combustível. Ali não se vende gasolina, álcool nem óleo diesel. Quem chega quase sempre já está com o tanque cheio.

O Auto Posto Estela vende direções.

Frentistas atendem a clientes que não sabem aonde ir. Às vezes é preciso oferecer mapas com instruções detalhadas e rotas planejadas em todos os detalhes. Outras vezes, apenas apontam o poente e dizem:

- Siga o sol.