Almanaque

Icon

Tudo o que você não sabia que precisava saber

Folhinha (20): Dia do Vampiro

Parte dos adeptos comemora a data em 26 de maio, aniversário da publicação de “Drácula” (1897) e do nascimento de Peter Cushing (1913). Mas outros preferem o 27 de maio, quando nasceram tanto Vincent Price (1911) quanto Christopher Lee (1922). Devido ao intenso debate, a maior parte das comemorações acontece à meia-noite, entre os dias 26 e 27. É a hora em que se deve morder um pescoço.

Não se deve consumir nada temperado com alho.

Arquivado como:Folhinha

Folhinha (19): Dia da Abundância

Mesmo depois de conquistados por Wiracocha e integrados ao império inca, inclusive adotando seu calendário, os nlutis mantiveram as suas tradições. Entre elas o Dia da Abundância, comemorado no último dia do mês equivalente ao nosso abril.

É preciso lembrar que os nlutis habitavam uma região pobre do altiplano, com terras pouco férteis e escassos recursos. Estavam habituados a uma existência frugal. Para piorar, impunham-se ainda maiores sacrifícios, guardando num silo a maior parte do que produziam durante todo o ano. Até chegar o Dia da Abundância.

Nesse dia, que antecedia o início da colheita, eles esbanjavam. Esvaziavam o depósito e fartavam-se de bolos, queijos, vinhos e carnes. Segundo os relatos que sobreviveram, neste dia o mais humilde dos nlutis tinha um banquete digno do próprio Inca.

Arquivado como:Folhinha

Folhinha (18): Naufrágio de São Paulo

Os Atos dos Apóstolos não informam a data precisa. No entanto, é em 10 de fevereiro que os católicos malteses celebram o naufrágio do navio em que São Paulo viajava em direção a Roma. O santo foi parar na ilha de Malta, onde fundou uma comunidade cristã e converteu o governador.

Nos primeiros séculos de Cristianismo, a festa era celebrada afundando-se um navio, geralmente algum que já estivesse bem velho. Ainda hoje há quem faça pequenos barcos de papel ou madeira para naufragá-los, porém o costume praticamente desapareceu. Na Idade Média era comum escolher um “paulo” para jogar no mar, o que porém foi proibido pelas autoridades civis e eclesiásticas em 1536.

Finalmente, no século XVII, surgiu a ideia de comemorar o naufrágio “afundando” um copo de aguardente em outro de cerveja. A novidade fez sucesso mesmo fora da data comemorativa. Foi assim que, nas tavernas dos portos de Malta, em homenagem à chegada de São Paulo, foi inventada a bebida que no século XX se tornaria popular com o nome de “submarino”.

Em La Valletta, o “submarino” ainda é chamado de Pawl, mesmo nome da baía onde o navio afundou.

Arquivado como:Folhinha

Folhinha (17): Um dia comum

O calendário murgol tem 364 dias dedicados a festas, deuses, heróis e efemérides. Somente o 7 de outubro é um dia comum. Ou melhor, o Dia Comum.

Hoje não há comidas especiais, jejuns, preces, trajes cerimoniais, tradições, brincadeiras, reuniões. Apenas vive-se. Do jeito que convém a cada um.

O peso da liberdade de escolha faz que a maioria das pessoas evite sair de casa e se encontrar com alguém, por absoluta incerteza em relação a o que fazer.

Arquivado como:Folhinha

Folhinha (16): Festa do Estrume

A independência de Kanuk foi resultado da guerra pelo controle de suas reservas de estrume de focas. Depois de séculos ignorando a existência da ilha e de seus habitantes, que viviam abandonados à própria sorte, as duas potências rivais passaram a considerar o território uma jóia a ser cobiçada quando os excrementos alcançaram altos valores no mercado de fertilizantes.

Veio então a guerra, cada lado pretendendo a soberania sobre a ilha. Mas depois de muitos anos de morte e destruição os kanukianos mostraram sua sabedoria política ao negociar a paz, comprometendo-se a fornecer o estrume para os dois lados em troca do reconhecimento da independência.

Assim, o dia do armistício é uma festa cívica em Kanuk. E os kanukianos, principalmente as crianças, comemoram recolhendo bolas de estrume seco para guerrear com elas nas ruas da capital.

Arquivado como:Folhinha

Folhinha (15): Dia do Malabarista de Rua

Pouca gente conhece a comemoração, mas ela foi instituída há dois anos no Rio de Janeiro pelo vereador Miltão da Serra (PLR). Na sua exposição de motivos, o edil argumentou que o malabarismo de rua “conssubstancia (sic) a criatividade carioca e a solidariedade do povo”.

O dia 7 de julho foi escolhido por ter sido a data em que, no ano de 1999, o mochileiro argentino Jaime Herrera foi visto pela primeira vez fazendo malabarismo num cruzamento de Copacabana para tentar ganhar uns trocados e garantir mais alguns dias de permanência no Rio. Os meninos que o observaram aprenderam rapidamente.

Também é de Miltão da Serra o projeto (ainda em tramitação na Câmara) que institui os malabares como disciplina obrigatória no currículo das escolas de Primeiro Grau da rede municipal de ensino.

Arquivado como:Folhinha

Folhinha (14): Dia dos Potros

Em Balacan, o mais tradicional local de disputas de turfe do mundo¹, hoje é o dia de uma prova muito especial. O único páreo da noite é uma carreira de 100 metros. E nela os humanos é que carregam os cavalos².

A tradição começou no século XII, quando o bispo da cidade quis erradicar as corridas. Como o édito eclesiástico proibia apenas aquelas em que jóqueis montassem “cavalos, éguas, mulas, asnos, jumentos, touros ou qualquer outro animal”, os aficionados mais radicais encontraram assim uma forma de contornar a proibição.

A lei que proibia as corridas foi suspensa em 25 de junho de 1139. Mas a diversão alternativa se manteve e virou tradição, servindo também como forma de comemorar a vitória dos turfistas.

O vencedor do Dia do Potro ganha o privilégio de nunca poder ser usado como montaria em corridas e passa o resto da sua vida como reprodutor.


¹ Há indícios de que as apostas em corridas na cidade começaram ainda nos tempos do Império Romano.
² Sempre potros machos de um ano.

Arquivado como:Folhinha

Folhinha (13): Noite proibida

Hoje, ao pôr do sol, os juízes são trancafiados nas cadeias da ilha de Mankatiri. E durante a noite inteira todas as leis são suspensas. Os habitantes não apenas podem fazer tudo o que nos dias normais é proibido, como são até obrigados a descumprir pelo menos uma lei.

Amanhã, logo cedo, os juízes saem de suas celas. Tudo volta ao normal, e é proibido falar de qualquer coisa que tenha acontecido durante a noite.

Arquivado como:Folhinha

Folhinha (12): Santa Anastácia

Dez de março, dia de Santa Anastácia, padroeira dos amantes rejeitados (*), é comemorado com cantadas agressivas, presentes indesejados e ocasionais encoxadas em transportes urbanos.

(*) Anastácia era dama-de-honra da imperatriz bizantina Teodora. Para evitar as cantadas do imperador Justiniano, maridão da patroa, fugiu da corte e se refugiou num convento em Alexandria, mais tarde disfarçando-se de homem para viver como eremita até o ano de 576, quando morreu.

Arquivado como:Folhinha

Folhinha (11): A noite sem máscaras

Na primeira sexta-feira da Quaresma, grandes fogueiras são acesas nas aldeias do Vale de Tlocoalixatlan. E nelas a população queima as máscaras e fantasias que foram usadas durante o carnaval. O objetivo é afugentar — com uma demonstração inequívoca de renúncia à festa da carne — os últimos demônios carnavalescos que ainda possam estar no ar.

Aquele que nao queimar a fantasia, diz a tradição, será perseguido pelos demônios durante todo o ano, até o carnaval seguinte, quando ficará doente e não poderá participar da folia. Por isso, os mais atrevidos na festa são também os mais fervorosos na fogueira. Nem que seja só para garantir o direito de pecar no ano seguinte.

Arquivado como:Folhinha

Folhinha (9): Ooladag

A tradução mais próxima seria “Dia do Grito”. E é justamente isso o que se faz no Ooladag: grita-se do amanhecer até a noite, enquanto houver pulmões.

Há uma lenda em torno de um personagem que teria afugentado o demônio aos gritos, e a sua história é representada — por atores que se esgoelam no palco, e evidentemente vestidos de cores berrantes. E bebe-se muito nut, um aguardente de gengibre que, em tese, ajuda a preservar a voz.

Mesmo com todo o nut, o dia seguinte ao Ooladag, embora não tenha um nome específico, é o mais silencioso do ano.

Arquivado como:Folhinha

Folhinha (9): Revolução das Cebolas

Os marmoules celebram no dia 27 de outubro o aniversário da revolta em que conquistaram a sua emancipação. Mas até hoje não existe um acordo sobre as origens da festa.

A versão tradicional é de que os antigos marmoules, na falta de outras armas, expulsaram os invasores a ceboladas, usando fundas e atiradeiras ou mesmo arremessando as cebolas com as próprias mãos. Há quem diga ainda que a revolução propriamente dita aconteceu no dia 28; a festa lembra a véspera, em que todos os habitantes se empanturraram com a safra de cebolas daquele ano, à noite, para no dia seguinte afugentar os inimigos com seu hálito.

Historiadores rejeitam as duas lendas e garantem que a cebola, ou melhor, o imposto sobre ela, foi apenas o pretexto que fez explodir uma revolta popular contra os ocupantes da Marmoulia.

De qualquer forma, hoje os marmoules comem apenas cebola. Frita, cozida, assada ou recheada, ela é a estrela da festa de independência.

Arquivado como:Folhinha

Folhinha (8): Dia Sem Pegadas

O Alagatan lembra a fuga dos ancestrais dos malagares. Segundo a tradição malagar, as Oito Famílias deixaram a escravidão embrenhando-se pela floresta pela sétima vez. Mas apagaram seus rastros para evitar que os maus espíritos viessem em perseguição, como ocorrera nas seis ocasiões anteriores.

Por isso, em 15 de outubro é proibido deixar pegadas.

Todos andam levando vassourinhas de palha, varrendo a terra por onde passam. Se alguém deixar rastros no chão nesse dia, será levado pelos demônios de volta para o cativeiro.

Quando chove na véspera e o chão fica lamacento, ninguém arrisca sair de casa.

Arquivado como:Folhinha

Folhinha (7): Nhã-morawa

Ao contrário do que diz a versão corrente, o 12 de junho não foi escolhido como Dia dos Namorados por ser véspera da festa de Santo Antônio. A tradição é bem mais antiga: vem do tempo dos jesuítas, do período colonial.

Todos sabem como a festa pagã de solstício de verão foi apropriada pelos cristãos e transformou-se no Natal. Com o Dia dos Namorados foi praticamente a mesma coisa. Em 12 de junho os tupis celebravam o Nhã-morawa, uma data especial em que as índias solteiras escolhiam seus maridos. Uma espécie de Dia de Maria Cebola.

Os jesuítas, porém, acharam aquilo muito vergonhoso. Mas não conseguiam combater a tradição. Ao mesmo tempo, as portuguesas vindas para cá (e algumas das suas primeiras filhas brasileiras) começaram a se interessar pela idéia.

Sem outro remédio, os catequistas procuraram ao menos suavizar a atitude “agressiva” das caboclas e fazer de Santo Antônio o verdadeiro responsável pelos matrimônios. Nãoi hesitaram em adaptar boa parte dos feitiços indígenas, para dar origem às simpatias que hoje conhecemos. Até o nome de Dia dos Namorados é uma corruptela do tupi Nhã-morawa.

Isso explica por que aqui o Dia dos Namorados não é celebrado em 14 de fevereiro, como em outros países. E o que só tem no Brasil e não é jabuticaba, como diz a frase atribuída a Sérgio Porto, deve ser besteira.

Arquivado como:Folhinha

Folhinha (6): Quarta-Feira de Trevas

Segundo os evangelhos de Mateus e Marcos*, na véspera da última ceia Jesus foi à casa de Simão, o leproso, onde uma mulher lavou seus pés com bálsamo de nardo, enxugando-os com seus cabelos — para desespero de Judas Iscariotes, que reclamou do desperdício. Jesus, porém, disse que a mulher estava já preparando seu corpo para a sepultura.

Cristãs alitorianas recordavam a data perfumando seus cabelos com as essências mais caras que tivessem em suas casas, preferencialmente nardo. Muitas guardavam dinheiro o ano inteiro para comprar o melhor perfume que pudessem no dia santo.

Na Turquia e Armênia sassânidas, onde a seita se refugiou após a condenação pelo concílio de Nicéia, o hábito se fundiu com antigos ritos de prostituição sagrada. As alitorianas iam às ruas nesta noite e usavam o que obtivessem pelos seus serviços para comprar o nardo.

O costume deu origem à crença, não sustentada pelos evangelhos, de que a mulher que lavou os cabelos de Jesus era Madalena, a pecadora.

* João situa o relato alguns dias antes, na casa de Lázaro, e diz que a mulher era Maria, irmã do morto ressuscitado.

Arquivado como:Folhinha

Folhinha (5): A fuga do alcaide

Bernália celebra hoje o Dia da Fuga. A tradição vem de 1763, quando os moradores revoltados expulsaram da cidade o alcaide imposto pelo rei, que oprimia a população com impostos escorchantes e leis injustas e foi posto a correr pelos amotinados.

A festa, na verdade, foi criada vinte anos depois, para lembrar a façanha. E desde então, todos os anos, no dia 28 de março o prefeito deve ser coberto de lama e palha e escorraçado até os limites da cidade. Em seu lugar, durante um dia, governa um cidadão escolhido por um sorteio de que todos — exceto o prefeito verdadeiro, é claro — podem participar.

Conta-se que, em 1869, o vencedor foi um mendigo. E administrou tão bem que o prefeito renunciou de forma que ele pudesse permanecer no cargo, o que fez por um ano. Em 28 de março de 1870, fugiu e nunca mais foi visto.

Arquivado como:Folhinha

Folhinha (4): Quaresma

Hoje, como em todas as sextas-feiras da Quaresma, as mulheres de Beira-dos-Ventos (e, ao que parece, também as de Alañeta, do outro lado da fronteira) evitam todo contato com o sexo masculino. Não gostam sequer de ver os homens do povoado.

Nem as lactantes quebram a regra. Às quintas, elas tiram dos seios o leite que os pais dos pequenos darão a eles no dia seguinte.

Para que as beatas possam receber os sacramentos, porém, os padres são considerados uma exceção. Inclusive com os privilégios negados aos bebês.

Arquivado como:Folhinha

Folhinha (3): O Ano do Porco

O Ano Novo lunar começa hoje em algumas aldeias do norte da Malásia, às margens do rio Kelantan, do Galas e do Levir. Ali o costume é de inscrever símbolos de boa sorte no estrume seco do animal que rege o ano (no caso de 2007, o porco), criando assim talismãs que são usados durante uma semana, antes de serem lançados aos rios.

Quando é Ano do Dragão, o material usado é a argila vermelha das margens.

Arquivado como:Folhinha

Folhinha (2): Lassa Enorea

Pelo antigo calendário etrusco, hoje é o dia de celebrar a Deusa do Olvido.

Na festa de Enorea, dívidas eram canceladas, velhas mágoas perdoadas e todos acabavam deixando de comparecer a pelo menos um compromisso. Uma ótima forma de se evitar fazer alguma coisa era prometê-la para o dia de Enorea.

A tradição mandava preparar seis pratos em honra da deusa — o primeiro, com miúdos de cabra; o segundo, com frutas e mel; o terceiro, um pão com ervas; o quarto, um bolo; o quinto, ovos de codorna; e o sexto, queijo com figos. Um deles necessariamente teria que ser esquecido sobre a mesa e deixado intocado.

Poucos ainda se lembram de comemorar a data.

Arquivado como:Folhinha

Folhinha (1): Santa Margarida da Hungria

Em Szigetvár, no sul da Hungria, a festa da padroeira é comemorada de forma peculiar. E a única forma de compreendê-la é pela biografia da santa.

Nascida na família real, no século XIII, ela abandonou os palácios para viver como monja, adotando uma vida de pobreza e sacrifícios. Sua única tristeza era não poder deixar o convento e partir em longas peregrinações a lugares sagrados. Resolveu o problema calculando a distância de sua cidade até o santuário desejado e transformando o total em milhas numa cota de ave-marias que devia rezar.

A técnica passou às outras freiras e em seguida aos leigos. Em Szigetvár, acredita-se que quem fizer um pedido a Santa Margarida hoje rezando todas as ave-marias correspondentes será atendido. 

É claro que quando o pedido não pode ser medido em milhas fica o cálculo fica mais difícil. Por isso mesmo existem os megszámozie, os “contadores de graças”, especialistas em transformar anseios em números. Quanto mais específico o desejo (“casar-me com Gyula, ter dois meninos e uma menina e morrer dormindo numa manhã de outono”), mais complexa a conta. Alguns profissionais (sim, pois o serviço é bem pago, e não em rezas) chegam a incluir frações decimais em sua cabala.

Arquivado como:Folhinha

Por aqui

Almanaque

Folheto ou livro que, além do calendário do ano, traz diversas indicações úteis, poesias, trechos literários, anedotas, curiosidades etc. (Houaiss). Do árabe al-munákh, "lugar onde o camelo se ajoelha", ponto de encontro e de conversa dos beduínos. Repertório, endimião, camião, sarrabal.

Marcos Faria

 

Novembro 2009
D S T Q Q S S
« Out    
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930  
E como já dizia Roland Barthes, tudo aqui deve ser considerado como dito por um personagem de romance.