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Placas

Uma coisa que acho legal nas placas com os nomes das ruas no Rio de Janeiro é a informação, em letras miúdas, sobre quem é a pessoa ou coisa homenageada. Por exemplo: quem entra na Rua Buarque de Macedo, no Flamengo (ou também quem lembra dos versos: Recife. Ponte Buarque de Macedo./Eu, indo em direção à casa do Agra,/Assombrado com a minha sombra magra,/Pensava no Destino, e tinha medo!), pode sentir a curiosidade de quem foi ele. Político? Astronauta? Jogador de futebol? Nem precisa consultar a Wikipedia, é só olhar a placa:

Pronto: jornalista. Antigamente isso dava prestígio, vejam só.

Essa informação vai ser mais importante ainda, imagino, para as futuras gerações, quando as ruas poderão ter recebido os nomes de celebridades pop ou outras opções de memória ainda mais volátil. Por exemplo:

Ou então:

Ou ainda:

E até:

Gugleiros (102)

As melhores buscas entre os visitantes do Almanaque no mês de abril:

Segunda, 1 -significado de sonhos sonhar com ovo pochet
Se estava na pochete deviam ser dois ovos.

Terça, 2 -qual teoria sobre a origem da vida tem explicacao semelhante a do bicho da goiaba
Deve ser uma teoria branquinha, fininha e comprida.

Quarta, 3 -docuras da stela

http://blogdosbolinhos.blogspot.com

Quinta, 4 -camelo se senta ou se ajoelha ?
Depende de em que pedaço da missa ele está.

Sexta, 5 -resposta do oque é ,oque e? e quadrupede de manha,e bipede de tarde e tripede a noite
Uma cadeira velha. Ao meio-dia alguém se sentou nela e quebrou duas pernas. De noite, consertaram uma só.

Sábado, 6 -sonhar com sapo acasalando
O acasalamento estava tão ruim que a pessoa até dormiu e sonhou com sapo.

Domingo, 7 -espantalhos modo de fazer
Deixe o alho em cima da pia, vire-se de repente e dê um susto nele. Você será um espanta-alho.

Segunda, 8 -sonhei com marimbondo q numero jogo no bicho
O número de picadas que tiver levado no sonho.

Terça, 9 -http://www.google.a centopeia eva tinha 100 patas resultados
O resultado depende do que fez o centopeio Adão.

Quarta, 10 -gadurim
Passo.

Quinta, 11 -como inventar historia em quadrinho bicho preguiça,floresta,dia,o soluc
…e um astronauta e um dragão e um robô com lasers e um ninja.

Sexta, 12 -almanaque 2013
Cada vez melhor.

Sábado, 13 -arqueologia do futuro
É uma ciência exata. Ou um dia será.

Domingo, 14 -sobre os motivos que fizeram plutao deixar de ser considerado um planeta e passa a ser chamado de planeta-anaor
Intriga.

Segunda, 15 -osteófilo inflamado
Isso dá samba.

Terça, 16 -quero ve as vacas boi trazamo en videl
Vai ficar querendo. Aliás, o boi também.

Quarta, 17 -http://www.ver video desexo do cavalo e egeu.com.br
http://www.foi engano não é aqui.wordpress.com.

Quinta, 18 -piloto de fuga funk atravessa de um lado pro outro em meia hora
De um lado pra outro da rua eu atravesso até mais rápido que isso.

Sexta, 19 -como citar revista e almanaque em um artigo
Ignore a revista. Cite só o Almanaque.

Sábado, 20 -caravaz significado
Um cara cujo sobrenome é Vaz.

Domingo, 21 -anedotas com chantily
Era uma vez dois moranguinhos, o plift e o ploft. Um deles disse “olha o chantilly, plift”, e o outro “que chantilly? ploft”.

Segunda, 22 -tirinha de laerte no estilao de david f wallace
Nem sei como é o estilão desse cara.

Terça, 23 -quando sonhamos com lacraias que tipo de bichoo poderia jogar
Lacraia. Ah, não tem?

Quarta, 24 -fotos de camelos
Eles postam no Insta-cam.

Quinta, 25 -“as desigualdades se reforçam”
Tem que se reforçar mesmo, que o Brasileirão já vai começar.

Sexta, 26 -a mulher enigma
A mulher é uma esfinge sem segredos.

Sábado, 27 -dannça.das.gatas
Elas dançam enquanto cantam: “Nós gatos, já nascemos pobres…”

Domingo, 28 -jogos do pipiqui
Serve biriba?

Segunda, 29 -sonhar com ganhamum
Melhor que perdemum.

Terça, 30 -boimate
Acabou de fazer 30 anos.


E as dez expressões mais procuradas no mês foram:

dia do inimigo 15
o que é um almanaque 6
almanaque 5
ha pessoas que pensam que o bicho da goiaba nasce espontaneamente da goiaba. que teoria sobre a origem da vida tem explicação semelhante a essa? 4
professor lutz 4
“as desigualdades se reforçam” 4
livro de gog 8
a borboleta e o vampiro 3
informações sobre almanaque 3
tigre de bengala 3

Troféu Boimate: o vencedor

E você não acredita em justiça poética. Pois trinta anos depois do inacreditável boimate, a veja-dilma-tomateVeja voltou a dar destaque para o Solanum lycopersicum. da genética à economia, o padrão da revista não muda. Bastou uma semana para o preço cair e tornar a matéria de capa falsa como um primeiro-de-abril da New Science.

Portanto, o Troféu Boimate de 2013 não poderia ser para outro órgão de imprensa senão a Veja. Parabéns.

Cateretê*

Olga Savary

Cada dia uma conquista,
caça que me é amor,
sempre uma possibilidade,
nunca uma afirmação:

Poesia: fera absoluta,
escorregadia enguia,
água, bicho sem pelo
onde poder agarrar

e onde se tem a mão.

* do tupi: o que é muito bom

21 de março, Dia Mundial da Poesia.

Declaração de voto

Falta uma semana para a eleição, então aí vai a minha declaração de voto.

Para prefeito, Eduardo Paes (15). Não é um voto apaixonado, e certamente não se deve a qualquer empatia pela pessoa do prefeito candidato à reeleição. Porém, é um voto absolutamente convicto.

Voto em Eduardo Paes pelo fortalecimento local, regional e nacional de uma aliança entre grupos moderados e progressistas (grosso modo, representados por PMDB e PT) que nos últimos dez anos vem promovendo mudanças importantes e garantindo conquistas para a maioria da população, especialmente as camadas de baixa renda. Voto porque prefiro a presença de forças de esquerda na administração da cidade, com capacidade para contrabalançar a influência do grande capital, a uma prefeitura inteiramente capturada como nos nefastos mandatos anteriores.

Principalmente, voto em Eduardo Paes porque a única outra opção de esquerda viável apresenta dois erros fatais. O primeiro é aquela síndrome de esquerda-zona-sul, que joga para agradar à arquibancada e não para ganhar. Desde o início, Marcelo Freixo se apresentou com uma proposta de marcar posição, de se mostrar a uma parcela reduzida do eleitorado como uma espécie de candidato ideal que infelizmente não seria eleito. Esse sempre foi o jogo de um certo tipo de político que corre para não chegar, que só quer ficar na confortável posição de oposição barulhenta.

O segundo erro, de certa forma decorrente do primeiro e para mim mais grave, é o caráter antidemocrático dessa candidatura específica e do PSOL de uma forma geral. A ideia de se mostrar como um ator fora do jogo político, que não faz alianças e em vez disso quer governar como “os melhores quadros” joga um vernizinho de modernidade sobre o que há de mais reacionário. Este país brigou por duas décadas para se livrar dos tecnocratas impostos pela ditadura – cuja postura era exatamente a mesma, de impor gênios da garrafa sem dialogar com os representantes do povo. Eu não quero um déspota esclarecido cercado de iluminados escolhidos a dedo. Eu quero a legitimidade da representação popular, expressa por meio do voto, organizada em partidos, que é a base da democracia.

Para a Câmara de Vereadores, voto em Jurema Batista (13.663), pela manutenção da sua trajetória de lutas (como se vê neste perfil na revista Raça) com as quais me identifico.

100.000

Obrigado.

Sem pobrema

Ideia dela.

Pra não dizer…

…que eu esqueci o Dia da Poesia:

No Pão de Açúcar
De Cada Dia
Dai-nos Senhor
A Poesia
De Cada Dia

(Oswald de Andrade, “Escapulário”)

Intervalo

Posição de repúdio da ASPAC à campanha da distribuidora do serviço de TV por assinatura SKY

A Associação de Servidores da Ancine (ASPAC) repudia a campanha realizada pela distribuidora do serviço de TV por assinatura Sky em virtude da falta de informação e fundamento apresentados nas diversas propagandas veiculadas em alguns dos seus canais. Ao afirmar nesses anúncios, com a participação de vários atletas brasileiros patrocinados pela Sky, que a lei 12.485 não considera o esporte como conteúdo nacional e por isso a ANCINE vai restringir o acesso à programação esportiva, a operadora distorce a realidade, procurando colocar o telespectador contra a lei numa campanha terrorista e enganosa. Além disso, também comunica, erroneamente, que a ANCINE quer controlar o que o grande público assiste. Diante dos fatos, a associação dos servidores da ANCINE (ASPAC), em nome de seus integrantes, se sente na obrigação de esclarecer e informar à população sobre os verdadeiros fatos.

A lei 12.485 de forma alguma restringe ou interfere no conteúdo assistido pelos telespectadores. Ao contrário, ela expande o mercado de TV por assinatura trazendo as empresas de telefonia, e, em contrapartida, cria cotas para a produção nacional independente. Assim, pretende-se aumentar a competitividade e com isso diminuir o custo do serviço no Brasil, um dos mais caros do mundo, e inserir na programação mais filmes, séries, desenhos animados e programas de televisão brasileiros. O telespectador, assim, poderá ter mais acesso ao conteúdo brasileiro que inclui obras como os filmes de sucesso Tropa de Elite I e II, Se eu Fosse Você I e II, Cidade de Deus, A Mulher Invisível – séries como Mandrake, Cidade dos Homens, Alice, Filhos do Carnaval e desenhos como Gui & Estopa, Amigãozão, Peixonauta, sucessos brasileiros já conhecidos pelo grande público e que tiveram, todos, recursos de renúncia fiscal geridos pela própria Ancine. Com isso, as exaustivas reprises e a quantidade enorme de propagandas institucionais utilizadas muitas vezes para preencher uma programação deficiente terão de ser reduzidas, obrigando as operadoras a ter mais respeito com seu consumidor, investindo mais no mercado audiovisual brasileiro.

O combate ao monopólio nesse mercado e a melhoria da qualidade e diversidade da programação, além da expansão do serviço para todo território brasileiros são os principais objetivos da lei 12.485. Essa iniciativa, que não é uma novidade brasileira (pelo contrário, vários países adotam medidas parecidas e algumas delas ainda mais avançadas), busca o incremento do nosso setor de produção audiovisual. O posicionamento de uma empresa como a Sky, que é majoritariamente estrangeira, deixa evidente que seus interesses não estão alinhados ao desenvolvimento econômico do Brasil. Confundindo o assinante, atacando sem fundamento a Lei e a ANCINE, criando o clima de terrorismo e ameaças, tudo isso demonstra a forma desleal que a Sky encontrou para tentar manter a sua atividade cada vez mais lucrativa e de baixa qualidade. Nós, servidores da ANCINE, concursados e brasileiros, temos a missão de proteger a instituição que busca, com a Lei 12.485, o desenvolvimento do audiovisual nacional e a democratização do acesso à comunicação, tornando o serviço de TV por assinatura mais amplo, diverso e universal.

ASPAC – Associação dos Servidores da Ancine


(Sem mais, voltamos à nossa programação normal)

Feed your head

Eu não vou repetir o quanto gostei de “Papel manteiga para embrulhar segredos”, primeiro romance da Cris Lisbôa. Só vou dizer que estou ansioso para ler a continuação, “Duas pessoas são muitas coisas”. E que só não vou ao lançamento hoje porque não vai dar tempo de chegar a São Paulo.

E que vai ter show do Pélico.

#Todomundolá

Cris Lisbôa lança no Rio “Nunca fui a garota papo-firme que o Roberto falou” nesta quinta-feira, às 19h, no Reserva+. Tem show da conterrânea Gisele de Santi.

Este título veio de um bilhete. Um homem achou que compraria meus olhos com flores caras. Respondi quase em verso. Que não sou prosa.

“flor? não, obrigada.  prefiro nuvem, desenho, amanhecer,corte de cetim, pedaços de galhos, lata vazia, sonho de valsa, canudo com mulher pelada na ponta e chiclete de gengibre. é que nunca, nunca mesmo, fui a garota papo firme que o Roberto falou.”

#euapoio

Essa garota é papo-firme

Não se deixe enganar pelo título.

Nunca fui a garota papo-firme que o Roberto falou

Cristiane Lisbôa é tremendona. É uma brasa, mora. E finalmente resolveu atender aos apelos dos fãs que não aguentavam mais esperar um livro novo. Quem estiver em São Paulo nesta segunda-feira, se perder esse lançamento (com show da Tulipa Ruiz, ainda por cima), é porque não entende nada: nem da vida, nem do amor, e principalmente nem das mulheres que mentem em voz baixa e temm predileção por chás e purpurinas jogadas ao vento.

Fabrício Carpinejar já disse: “Espiar o que as outras vidas estão fazendo (e o melhor: não estão fazendo) é a obsessão de Cristiane Lisbôa. Espiar faz parte de um enquadramento fechado, perigoso, proibido, com a liberdade restrita ao campo de visão, o que transforma o ato em um jogo sedutor de adrenalina”. E Santiago Nazarian também sacou que “Lisbôa chega para deixar clara a diferença. (…) Encontramos uma escritora de fato, de talento inegável, lirismo e inteligência”. Não sou eu que vou discordar, né?

Se você, como eu, infelizmente não puder ir a São Paulo para o lançamento, pode ficar torcendo para a moça dar as caras na sua cidade. Ou, se não der para esperar, encomendar logo o seu na Livraria da Travessa. Eu não sei se aguento.

Eu voto

Este texto já devia ter sido escrito há muito tempo, pelo menos há um mês, quando decidi todos os meus votos. Vai atrasado, mas vai. Pela ordem:

Presidente – Dilma Roussef – 13
Foi o voto mais fácil de decidir. Dilma é a manutenção de uma política de responsabilidade administrativa aliada à opção pela redistribuição de renda, uma união que provocou a melhor década da história recente do Brasil. A falsa premissa de que era preciso fazer o bolo crescer para depois dividi-lo deu lugar a uma visão de que o bolo só cresce depois que é dividido. Foi assim que passamos pela crise financeira internacional, foi assim que aumentamos o crescimento, foi assim que diminuímos a pobreza e a desigualdade. É assim que precisa continuar.

Governador – Sérgio Cabral Filho – 15
Não é que eu morra de amores pelo governo Cabral. Mas teve seus acertos, como as UPAs, as UPPs e, já no finzinho, a implantação (até que enfim!) do bilhete único. Foi fundamental no processo de escolha do Rio para sede dos Jogos de 2016. Não cometeu nenhum erro grave, que eu me lembre. Além disso, e o mais importante, votar em Cabral é fortalecer o bloco político que vem promovendo as mudanças de que falei acima.

Senador (1) – Lindberg Farias – 131
Vários motivos a escolher. Para fortalecer o apoio ao governo Dilma. Para não deixar Cesar Maia ir para o Senado. Porque Lindberg mostrou amadurecimento na sua trajetória política. Porque fez uma boa administração em Nova Iguaçu. Porque renova tanto o Senado quanto o PT. E porque ele tem fortes chances de se tornar governador do Rio em 2014, deixando a vaga para o seu suplente Emir Sader!

Senador (2) – Milton Temer – 500
O medo de pintar uma vaga para Cesar Maia ainda me deixa com o pé atrás. Mas votar no Crivella é dose. Então vamos de Milton Temer, que mesmo sendo desse partidinho mequetrefe é um sujeito responsável e, na hora de fazer avançarem as causas populares, não vai brincar de oposição em troca de uma fala no Jornal Nacional.

Deputada Federal – Jandira Feghali – 6565
Outro voto muito fácil de escolher, e o que mais me empolga depois da Dilma. Jandira, em quem votei mas que infelizmente não consegui eleger senadora em 2006 nem prefeita em 2008, dessa vez vai pra Brasília. E com ela na Câmara melhora substancialmente o debate sobre saúde, direitos da mulher, minorias, aborto, cultura.
E ainda tem outra coisa: Jandira é Mengão.
Como é que eu não votaria nela?

Deputada Estadual – Cida Diogo – 13313
Pena que a Câmara vai perder Cida Diogo, que se candidatou à Assembleia Legislativa. Tem meu voto porque, assim como Jandira, vem sendo uma batalhadora pelos direitos da mulher, pela ampliação da saúde pública, pelas minorias, pelo meio ambiente.

É isso aí. Agora é resolver a parada no primeiro turno. Se possível, mandando a oposição pra segunda divisão.

Sacudindo a poeira

Ainda sei como se faz isso aqui?

Biblioteca de Babel (54): Qannehedkiliwai

O maior épico já escrito conta, em seus pouco mais de 100 mil versos, a epopeia de Qannehed, o heroi que vendeu a si próprio aos Infernos para pagar a dívida de seu pai, o Céu, com os homens; resgatou sua liberdade ao vencer o demônio Nanhapat em sete duelos que puseram à prova (nesta ordem) seus braços, pernas, cérebro, coração, estômago, olhos e voz; casou-se com a Lua depois de atraí-la ao seu leito com um feitiço que fez surgir a noite; separou as ilhas que hoje são o lar do povo nahed; obrigou os gigantes a lhe ensinarem o segredo do fogo, e depois expulsou-os para dentro do vulcão Awea; e viajou para a terra das estrelas, de onde um dia voltará.

Tudo isso (entre outros episódios), porém, só é conhecido por quem leu o poema no original. Todas as tentativas de traduzi-lo até hoje falharam. Em inglês, o Qannehedkiliwai virou um tratado filosófico. Em croata, parece uma análise dos teoremas de Gauss. A melhor versão já obtida para o árabe chega a contar pedaços da história de Qannehed, mas incompletos ou terminando de um jeito diferente do original. O tradutor chinês, ao concluir seu trabalho, viu que tinha em mãos um texto idêntico à versão em mandarim do “Dom Quixote”.

Até hoje, permanece o único livro realmente intraduzível já escrito.

Dilma 13

A melhor ajuda ao Haiti

A dívida externa do Haiti é de quase US$ 1 bilhão. Se os países ricos estivessem mesmo interessados em reconstruir anação haitiana, poderiam muito bem começar cancelando essa dívida que tem suas raízes no racismo, na exploração e no colonialismo, como recorda Eduardo Galeano:

A bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ruínas. A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém comprava do Haiti, ninguém vendia, ninguém reconhecia a nova nação. (…)
Os Estados Unidos reconheceram o Haiti apenas sessenta anos depois do fim da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um gênio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque têm pouca distância entre o umbigo e o pênis. A essa altura, o Haiti já estava em mãos de ditaduras militares carniceiras, que destinavam os famélicos recursos do país ao pagamento da dívida francesa. A Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à França uma indenização gigantesca, a modo de perda por haver cometido o delito da dignidade.
A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental.

Assine a petição: pelo cancelamento da dívida haitiana, e para que a reconstrução do país não aconteça à custa de dívidas ainda maiores.

A Falha, os pulhas

E já que é proibido fazer campanha com os logos originais, vai o adaptado mesmo.

Biografemas (4): Marechal Rondon

“Súbito, senti no rosto um sopro e divisei algo, rápido e fugaz, como se fosse um pássaro que cruzasse o caminho, na altura dos meus olhos, bem perto de mim. Num movimento instintivo, meu olhar procurou segui-lo e o que vi não foi um passarinho, mas uma flecha com a ponta cravada no chão. Errara o alvo! Embora muito rápido, o meu movimento não impediu que segunda flecha me viesse passar rente à nuca, roçando o capacete. E vi, bem próximo, dois nhambiquaras possantes, peito largo, cabeça grande, rosto de maçãs salientes”.

É assim que o então coronel Cândido Mariano da Silva Rondon relata o ataque dos nhambiquaras, em setembro de 1913, quando chegou a ser atingido por uma flecha envenenada. Diz a historiografia oficial que a ponta ficou cravada na sua bandoleira de couro, o que salvou a vida do explorador. Mas há outras versões.

Segundo relatos de militares de baixa patente que acompanharam a expedição, a flecha atingiu, sim, o coronel, que imediatamente perdeu os sentidos. O grupo se recolheu, temendo o pior e já pensando em como providenciar um enterro cristão para o comandante.

Porém não foi necessário. Rondon estava vivo, porém febril. E passou a noite inteira narrando as visões místicas que o veneno dos nhambiquaras produzia. Com o rosto afogueado, falou de criaturas vindas do espaço, rios que se transformavam em serpentes gigantes, um futuro em que todos seriam irmãos. Terminou o discurso bradando: “Morrer, se for preciso; matar um índio, nunca”!

Caiu em seguida num profundo e tranquilo sono, do qual despertou na manhã seguinte, completamente curado e sem qualquer lembrança da noite anterior. Desautorizou qualquer relato sobre seu delírio, mas adotou a frase final como seu lema dali em diante.

Jurassic Jesus

Porque hoje é Dia Internacional da Blasfêmia.

jurassicjesus

(Via fuck yeah dementia)

Folhinha (21): Dia da Liberdade de Observação

O dia de hoje é comemorado por astrônomos e cosmógrafos do mundo inteiro. Eles recordam o patrono Gugliemo Manfredi (1566-1632), que se rebelou contra a proibição de observar o céu.

No início do século XVII, o telescópio, inventado em 1609 por Galileu, começou a ganhar popularidade por toda a Itália renascentista. Preocupado com a revolução das ideias que começava a se propagar, o bispo de Nápoles baixou um decreto em 1616 proibindo a observação dos corpos celestes, sob a alegação de que “não cabia ao homem investigar o trabalho de Deus”.

Manfredi, que construíra ele mesmo seu próprio telescópio a partir de instruções de um manuscrito de Galileu, não se sujeitou ao decreto. Apontava secretamente suas lentes para o céu, enquanto reunia anotações sobre o movimento dos astros.

Descoberto pelas autoridades eclesiásticas, foi levado a julgamento em 28 de outubro de 1619. Os inquisidores pretenderam obrigá-lo a abjurar e renunciar para sempre ao uso do aparelho. Mas ele respondeu que, caso não pudesse mais observar o céu, dirigiria sua atenção e sua curiosidade para as casas “do outro lado da ponte Nucchia”, onde trabalhavam as meretrizes da cidade, e consequentemente para os clientes de seus serviços.

Foi posto em liberdade e no mesmo dia revogou-se o decreto. Desde então, a observação dos corpos celestes é livre. em Nápoles e por toda a parte.

A glória de um covarde

Fazia tempo que eu queria escrever sobre esse assunto, e acho que o dia é propício. Eu não aguento mais esses heróis que só protegem os fortes.

Nas suas “Cartas de um subdesenvolvido”, Henfil contou a experiência de viver nos EUA e tentar, sem sucesso, emplacar como quadrinhista no mercado americano. Ele percebeu de cara que criar humor numa democracia era bem diferente do que numa ditadura como a do Brasil do AI-5. Citando:

“O americano não consegue ver onde está a força de uma charge que tem a palavra liberdade no meio, e só. E no Brasil, só da gente colocar esta palavra numa charge ou música, já deu o recado! Estamos desenvolvendo uma linguagem cifrada, língua do pê, que só nos entendemos e só nós percebemos a gravidade e qualidade. Se a gente escrever a palavra “liberdade” num papel branco, sem mais nada escrito, já está ameaçando. Já fez um enorme esforço criativo! Pois aqui tem que escrever o resto do livro”.
(Carta a Tárik de Souza, 7 de janeiro de 1974)¹

O humor brasileiro, hoje, vive um cenário parecido, mas com o sinal trocado.

“Politicamente incorreto” é a qualificação que aparece nas descrições e nos (auto-)elogios de 99% dos humoristas brasileiros. E, na maioria dos casos, é a única apresentada. Fulano é engraçado? Ah, ele é politicamente incorreto que só vendo. Desrespeitar minorias virou condição necessária e suficiente para se fazer humor. Soltou um “crioulo safado”, desmunhecou, a claque vem abaixo.

Pois eu pergunto: é só isso, mermão? Cadê o resto do livro? Qual é a graça? E, principalmente, qual é o risco que você está correndo? A sempre criticada “ditadura do politicamente correto” é uma falácia. Porque quando eu chamo um racista de racista, um homofóbico de homofóbico, um machista de machista, não estou censurando. Estou dando nome aos bois. Estou apontando a covardia de quem replica e reforça a opressão.

A reação dos acusados é sempre a mesma: desqualificar e, se possível, calar a crítica. A liberdade de expressão só vale para o discurso dominante. Esses pretensos heróis apresentam como credencial a sua coragem de ser covardes. O que não chega a ser uma piada pronta, mas é um oxímoro dos bons.


¹ Mais tarde Henfil reveria seus conceitos, chegando à conclusão de que a aparente liberdade nos EUA apenas disfarçava uma ditadura do puritanismo. Mas isso é outra história.

36 vistas, o livro

Quem se tatua está sempre enviando duas mensagens. Uma, a mais óbvia, é para os outros, para quem vê a tatuagem hoje. Mas a segunda, a mais importante, se destina à pessoa que o tatuado vai se tornar no futuro, e que nunca poderá ignorar o que fez no passado. Da mesma forma que é impossível não ver uma estátua de trinta metros no alto de uma montanha.

Esta é uma das legendas que escrevi para as ilustrações do livro “36 vistas do Cristo Redentor“, do amigo e parceiro Renato Alarcão, lançado esta semana.

Foi um trabalho muitas vezes desafiador, porque eu não conseguia encontrar palavras que de fato acrescentassem alguma coisa às imagens. Mas por isso mesmo me deixou orgulhoso depois de terminado. Acho que consegui transpor para as legendas o espírito parte reflexivo, parte impressionista, parte fantasioso que se vê na arte do Renato.

O livro está à venda no site da editora Casa 21.

Ser tigre

O tigre ignora a liberdade do salto
é como se uma mola o compelisse a pular.

Entre o cio e a cópula
o tigre não ama.

Ele busca a fêmea
como quem procura comida.

Sem tempo na alma,
é no presente que o tigre existe.

Nenhuma voz lhe fala da morte.
O tigre, já velho, dorme e passa.

Ele é esquivo,
não há mãos que o tomem.

Não soa,
porque não respira.

É menos que embrião
abaixo do ovo,
infra-sémen.

Não tem forma,
é quase nada, parece morto.

Porém existe,
por isso espera.

Epopéia, canção de amor,
epigrama, ode moderna, epitáfio,

Ele será
quando for tempo disso.

(Arménio Vieira, nascido em 1941 em Santiago de Cabo Verde, ganhador do Prêmio Camões de 2009).

História mal contada

Eu não vi o filme.  E (mal aí, Flávia) nem pretendo ver. Porque tem uma coisa me incomodando muito nessa história.

Vamos recapitular o que qualquer pessoa mais ou menos bem informada já ouviu por aí: o documentário mostra como Wilson Simonal era um ídolo das multidões no fim dos anos 60, mas teve sua carreira destruída no início dos 70, depois de ter sido acusado sem provas de atuar como dedo-duro do DOPS. Um talento que foi calado, vítima de uma campanha de difamação.

Desculpem, mas essa conta não fecha.

Qur dizer que em 1972 todas as rádios e TVs, os jornais, a indústria fonográfica e as casas de shows fecharam as portas a Simonal tremendo de medo do poder do… Pasquim? Em pleno governo Médici?

Vem o Chico Anysio e lança o desafio a “um só que diga que foi dedurado pelo Simonal”. Nem vou entrar no mérito de discutir o desafio em si (imagino os gorilas prendendo um subversivo  dizendo “olha, quem te entregou foi Fulano, viu?”). Mas então vamos a outro. Me digam um só, um só que tenha sido proibido de gravar, vender discos, falar bem, divulgar o Simonal. Porque aí a coisa fica mais hilária ainda.

- Vamos chamar o Wilson Simonal para o programa deste domingo?
- Não, ele não.
- Por que não? É popular, faz o maior sucesso.
- Muito perigoso. Melhor chamar o Chico, o Vandré…

Ou:

- Moço, me dá um disco do Simonal.
- Psiu. Fala baixo.
- Mas eu adoro o Simonal.
- Pega aqui esse embrulho de papel pardo. Mas não conta pra ninguém que fui eu que vendi.

Em 1972. Tá.

Em 1972 a classe média cantava “Eu te amo meu Brasil” e “Esse é um país que vai pra frente”, balançava bandeirinhas para o desfile militar de 7 de setembro, acreditava no milagre e no “Ame-o ou deixe-o”. Essa classe média passou a desprezar o Simonal porque ele foi acusado de dedo-duro pelo Ziraldo? Isso é enredo de ficção, não de documentário.

Finalmente, o que não me desce de jeito nenhum. O argumento de que Simonal só ganhou fama de dedo-duro (que ele mesmo confirmaria, depois) porque mandou dois agentes da repressão darem uma surra num ex-funcionário. Ou seja: dar porrada num ex-empregado que está incomodando pode. É legítimo. Se isso é uma reabilitação, eu não entendo mais nada.

Pronto

Ninfeias

Fazia tempo que eu queria monetizar esse blog.

Nós, abaixo assinados

REPUDIO E SOLIDARIEDADE

Ante a viva lembranca da dura e permanente violência desencadeada pelo regime militar de 1964, os abaixo-assinados manifestam seu mais firme e veemente repudio à arbitrária e inverídica revisão histórica contida no editorial da Folha de S. Paulo do dia 17 de fevereiro de 2009. Ao denominar ditabranda o regime politico vigente no Brasil de 1964 a 1985, a direção editorial do jornal insulta e avilta a memória dos muitos brasileiros e brasileiras que lutaram pela redemocratização do pais. Perseguições, prisões iníquas, torturas, assassinatos, suicídios forjados e execuções sumárias foram crimes corriqueiramente praticados pela ditadura militar no periodo mais longo e sombrio da historia polí­tica brasileira. O estelionato semântico manifesto pelo neologismo ditabranda é, a rigor, uma fraudulenta revisão histórica forjada por uma minoria que se beneficiou da suspensão das liberdades e direitos democráticos no pós-1964.

Repudiamos, de forma igualmente firme e contundente, a Nota de redação, publicada pelo jornal em 20 de fevereiro (p. 3) em resposta às cartas enviadas a Painel do Leitor pelos professores Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fabio Konder Comparato. Sem razões ou argumentos, a Folha de S. Paulo perpetrou ataques ignominiosos, arbitrários e irresponsáveis à atuação desses dois combativos acadêmicos e intelectuais brasileiros. Assim, vimos manifestar-lhes nosso irrestrito apoio e solidariedade ante as insólitas críticas pessoais e políticas contidas na infamante nota da direção editorial do jornal.

Pela luta pertinaz e consequente em defesa dos direitos humanos, Maria Victoria Benevides e Fabio Konder Comparato merecem o reconhecimento e o respeito de todo o povo brasileiro.

(Assine aqui)

Boicote, desinvestimento, sanções

Eu suspeitava

Is your cat plotting to kill you?

Descubra os sinais.

Diga não.

Começa amanhã

Original

Quando eu achava que a Gago Coutinho não podia ficar melhor, abriu um sebo quase do lado do meu prédio. O Original fica no 37-A (2225-2599, 9348-2408 e eduthiARROBAig.com.br) e funciona de segunda a sábado, das 12 às 19 horas.

A loja ainda está sendo arrumada, o que talvez explique a demora para descobrir o preço dos livros, por exemplo. Mas é simpática. Tem uma quantidade razoável e, o que é fundamental num sebo, uma alta qualidade de livros — além de CDs e DVDs.

O dono, Eduardo, explica que pretende manter uma estante de exemplares “fora de venda”, com obras apenas para consulta. Isso mesmo: entre, pegue, sente-se numa poltrona e folheie à vontade. Já estão lá uma boa edição da Legenda Áurea e um álbum sobre o Palácio das Laranjeiras, entre outros.

Two for the show

Marcio Silva

Marcio Silva - Quarta-feira, 6/8, no Cine Lapa

Solução final

Chegou ao prédio onde moro uma carta circular. Os signatários são todos moradores de Laranjeiras, entre eles o senhor Carlos Minc e alguns cidadãos com sobrenomes imponentes. Eles mostram a sua preocupação com os problemas do Parque Guinle, assunto que me interessa muito.

O mais grave, a julgar pela carta, é a presença dos moradores de rua.

Os sobrenomes pomposos de Laranjeiras foram se queixar à Secretaria Municipal de Assistência Social. E ouviram como resposta que os mendigos simplesmente não querem ser recolhidos. “Nosso propósito não é, de forma alguma, expulsar os moradores de rua”, explicam. Mas logo em seguida encontram a solução: evitar que os indesejáveis se sintam à vontade.

Oferecer água, comida, roupa e nenhum futuro não nos parece um modo de promover realmente a dignidade destas pessoas (…)
Só há um modo de convencer as pessoas em situação de rua de que procurar outros caminhos é melhor do que viver da caridade alheia: é tornar evidente para elas que essa situação não pode se perpetuar.

Os sobrenomes pomposos de Laranjeiras consideram altamente reprovável oferecer água a um mendigo que está com sede. Ou contratá-lo para um serviço esporádico. Ou dar sobra de comida a quem tem fome.

Os sobrenomes pomposos de Laranjeiras bem que poderiam ter deixado de lado o vocabulário politicamente correto (“em situação de rua” é de lascar) e dito com todas as palavras o que está escrito nas entrelinhas da sua circular:

O único jeito de fazer essa gentinha sair daqui é tornar suas vidas um inferno tão intolerável que até mesmo o abrigo da Prefeitura vai parecer coisa melhor.

Ainda poderiam argumentar que estão fazendo isso pelo bem dos próprios mendigos. Para radicalizar as contradições do capitalismo e favorecer a formação de uma consciência de classe nos lumpen, sei lá.

Hoje, quando vinha para casa, comprei um lencinho de dona Regina Celi, que andava sumida. Sim, confesso: sou um desses monstros insensíveis que ficam levando as pessoas a acreditar que podem viver sem ajuda da Fundação Leão XIII.

Ficção pra quê?

Saci 2014

O Mouzar Benedito lançou a campanha, o Ricardo Kotscho e o Torero apoiaram. E eu daqui lanço também minha humilde declaração de apoio. Queremos o Saci como mascote da Copa do Mundo de 2014, “antes que os marketeiros e lobistas inventem um mascote besta que nem o tal do Cauê“.

O Ziraldo, como se vê pela ilustração ao lado, já sacou há muito tempo que o Pererê com uma perna só joga mais que qualquer mascote pré-fabricado com duas.

(Este post deveria ter sido publicado ontem. Mas preferi não mexer nesses assuntos numa sexta-feira 13)

Cassa essa, seu juiz!

Então o TSE decidiu que blogueiro não pode postar banner de candidato. E que, se fizer isso, o candidato terá sua candidatura impugnada. Porque, afinal, ele é o único responsável por tudo aquilo que os blogueiros fazem.

Ah, é?

Agora, das duas, uma: ou os senhores juízes cassam todo candidato cujo banner eu resolver publicar ou então devolvem o meu direito a manifestar minha opinião. Porque quem proíbe um banner hoje proíbe um artigo amanhã, uma discussão outro dia, e acaba resolvendo que essa tal de democracia é uma coisa muito perigosa.

Vão cassar o Frodo também?

Mais uma do Alarcão

Nesta quinta, dia 29, às 14h, lançamento de O herói e a feiticeira, de Lia Neiva, com ilustrações de Renato Alarcão. Vai ser no MAM, como parte da programação da Feira de Livros para Crianças e Jovens. Levem seus sobrinhos.

C.Q.D.

Na sexta-feira, a Alessandra escreveu um texto para o Meio Bit Games sobre o problema do racismo em videogames. E foi surpreendida não só pelo volume dos comentários, mas principalmente pela violência das respostas — algumas descambando para a grosseria pura e simples.

Alguns dias antes, um artigo de Eugenio Bucci no Observatório da Imprensa, A empregada branca e a intolerância tolerada, provocou o mesmo tipo de reação.

Só mesmo esses capitães-do-mato do século XXI (?) não percebem que, quanto mais eles xingam e esperneiam, mais confirmam o que tanto querem negar: que o racismo no Brasil é real, forte e destrutivo.

Chamando todos os almanaqueiros

Alguém lembra de “A última flor?”

Posso jurar que, quando eu era criança, ali pelo fim dos anos 70 ou início dos 80, vi um desenho animado contando essa “parábola em imagens” sobre como a XII Guerra Mundial quase destruiu todo o planeta, e sobre como um homem e uma mulher, ao cuidar da última flor, conseguiram reconstruir a esperança.

Pois outro dia, fuçando uma barraca de saldos por R$ 1 na Feira do Livro, na Cinelândia, descobri não apenas que se tratava de um livro, mas também que tinha sido publicado no Brasil, em 1979:

Pelo que descobri, o autor, James Thurber, era um cartunista e humorista americano. E, para minha surpresa, a “parábola” da última flor é de 1939, e não da época do movimento contra a Guerra do Vietnã, como eu pensei. Mas não encontrei nenhuma referência a qualquer adaptação de The last flower. A principal referência no IMDB é a produções de “A vida secreta de Walter Mitty“, que eu também li quando era garoto sem saber que era do mesmo autor.

No Youtube, só consegui achar montagens recentes, provavelmente feitas em algum software caseiro e usando Coldplay como trilha sonora. E aí, alguém mais lembra desse desenho?

Meia Amazônia, não!

When water is torture

Song chart meme (2)

Depois desse post, a Telinha me avisou que já tinha mais gente fazendo a mesma coisa no Flickr. Aí apareceram a Menina Eva e o Grande Abóbora. Então, já que é assim, vamos de especial Noel Rosa:

Um livro atrás do outro

Terça-feira, dia 15, aqui no Rio, tem noite de autógrafos do “Almanaque Anos 90″, do Silvio Essinger. Vai ser na livraria Saraiva do Rio Sul, a partir das 19h30.

Não sei se o Silvio assume isso no livro, mas os anos 90 foram aquela década em que ele fingia que tocava baixo numa banda chamada A Corja, ao lado de Fabiano e dos irmãos Zagari.

Quarta-feira, dia 16, em São Paulo, será o lançamento de “Figurinha carimbada”, de Márcio Araújo, com ilustrações de Renato Alarcão. Livraria da Vila, rua Fradique Coutinho 915, Vila Madalena, a partir das 18h30. Leve a garotada, inclusive a interna, porque vai ter peça de teatro.

O escritor eu não conheço. Mas o Alarcão só ilustra texto bom. Né?



E, além disso, Sylvia não sabe dançar está à venda.

Aviso aos leitores

Se este blog ficar gripado de repente, vou desde já garantindo que não tenho nada a ver com isso.

Esse é de verdade

Sylvia não sabe dançar Cristiane Lisbôa lança “Sylvia não sabe dançar”, o seu “pulp-fiction de costumes” e primeiro livro desde o deslumbrante “Papel-manteiga de embrulhar segredos”.

Não li (ainda), mas gostei. E quando eu crescer quero escrever que nem a Cris. Só não vou lá na Alameda Lorena 19, hoje, às 19 horas, fazer fila pra pedir autógrafo, porque aderi à campanha por um lançamento no Rio.

É hoje!

capalivro.jpg Desculpem, sei que ficou meio em cima pra avisar, mas a editora demorou a confirmar a entrega. De qualquer forma, dá tempo de todo mundo ir. O lançamento da primeira coletânea de textos do “Almanaque” será nesta terça-feira, dia 1, a partir das 20:30, no Tuna Clube (ali bem em frente ao metrô da Pavuna). Tem Calypso cover com a banda Cheiro de Mel e depois baile com MC Demente. Os dez primeiros ganham um post personalizado na próxima edição.

Brasyl, o livro

Ian McDonald, Brasyl “Vocês estão no Fuga. É um novo reality show do Canal Quatro, estrelando vocês! É, vocês vão ser grandes astros!” Com isso eles começaram a olhar uns para os outros. Cultura da atenção. Nunca falha para seduzir os vaidosos cariocas. São os melhores participantes de reality shows do mundo, os cariocas. “O carro é de vocês, absolutamente, garantido, legal. Vocês só precisam escapar da polícia durante meia hora, e nós já dissemos a eles que vocês estão aí. Querem jogar?” Esse poderia ser o bordão: Fuga: quer jogar?

O garoto de roupa da Nike estava se mexendo.

“Preciso do áudio deles”, gritou Marcelina. João-Batista girou outra chave. Um baile funk sacudiu a van.

(…)

“Vou conhecer a Gisele Bündchen?”

“Vamos armar uma foto com a Gisele Bündchen, vocês três, e o carro. Os astros do Fuga e seus carros”.

“Eu gosto daquela Ana Beatriz Barros”, disse América.

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Quer mais? Aqui.

Texto

De cor eu sei o meu corpo
e a sua nua roupa de carne
tão exata: luva de pele
gesto-agulha que se costura

com as tintas linhas do sangue:
tantas, contidas em si, em tons
agudos que descobrem o som da cor
e o salto-susto de cada pulso.

De cada passo do tempo que tece
de poro a poro / ponto por ponto
na teia do instante, nas veias
o vínculo da vida e seu intervalo:

laços de sono, vão, letras de lã
no espaço das páginas de areia:
folhas de vento e fuga, ruga
e grão, degrau de sonho e de não.

De cor eu sei o meu corpo:
malha que me veste na camisa-de-força
da sua nudez — jaula, grades, capuz
de pele e esperma, mudo vulto envolto

na textura de sua própria epiderme
sem furos, de onde eu não escapo:
muros de mim, catapulta que espera
a bala do acaso que a morte dispara.

FREITAS FILHO, Armando. “Texto”. In 41 poetas do Rio, organização de Moacyr Félix. Rio de Janeiro: Funarte, 1998.

Porque hoje é aniversário de Castro Alves e Dia Nacional da Poesia.