Quando Colombo voltou à Espanha, depois de descobrir a América, levou consigo seis índios nativos da ilha de Hispaniola (Haiti). Em Barcelona, aprenderam a língua espanhola e foram batizados. Um deles, parente do cacique Goacanagari, recebeu o nome de Fernando de Aragão, como o rei católico; outro, de Juan de Castela; e dos outros quatro não ficou registro¹.
Juan de Castela, o preferido do rei Fernando, morreria dois anos mais tarde. Havia conhecido Espanha e França, e aprendido tudo o que podia sobre a Europa e os cristãos. O suficiente para escrever uma carta a Goacanagari, com um relato pormenorizado de tudo o que viu e ouviu, bem como conselhos de como o chefe deveria proceder em relação aos homens de pele pálida e cabelos amarelos.
Vítima da gripe contra a qual seu corpo não tinha defesas, Juan confiou a carta a Patiño, mordomo do rei, a cujos cuidados havia sido deixado. Ouviu o espanhol jurar que o documento seria levado a Hispaniola, e então fechou os olhos.
A carta nunca foi enviada à América. Só recentemente foi publicada, revelando os alertas de Juan de Castela contra a malícia e perfídia dos homens brancos. Com cinco séculos de atraso.
¹ Segundo a “Historia general y natural de las Indias: islas y tierrafirme del mar oceano”, de Gonzalo Fernández de Oviedo y Valdés (1851)
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