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Tudo o que você não sabia que precisava saber

Bestiário (70): Pulga mamífera

Infesta fêmeas prenhas ou que acabaram de parir – vacas, cabras, porcas, cadelas, ursas, éguas. Esconde-se perto das tetas e suga o leite que deveria alimentar o filhote.

Normalmente a ação da pulga não chega a causar dano ao animal. Espertamente, ela põe seus ovos no úbere, para serem engolidos pelo filhote, em cujo corpo as larvas vão se desenvolver.

Mas às vezes a infestação é grave, com centenas de pulgas no mesmo animal. Nesses casos, não sobra leite algum para a cria, que acaba morrendo de inanição.

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Bestiário (69): Bicho-marinheiro

Só recentemente os cientistas descobriram que este parasita é o responsável pela orientação de lagostas, sardinhas, enguias, salmões e outros animais marinhos. Numa relação simbiótica, ele se instala junto aos centros nervosos e, com a sua capacidade de orientação pelos pólos magnéticos da Terra, a qual obtém graças ao ferro absorvido de seu hospedeiro, indica as direções a serem seguidas pelas correntes migratórias.

O bicho-marinheiro se hospeda inclusive no ser humano, sendo adquirido pela ingestão de outros animais infestados. E também no homem são importantes auxiliares de navegação. Foram encontrados traços de DNA de bicho-marinheiro nos corpos de antigos vikings, chineses e polinésios, os três primeiros povos a atingir o continente americano.

(Adaptado de relato oral da bestiarista Alessandra Picoli.)

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Bestiário (68): Bicho-viajante

Este pequeno verme se aloja sob a pele das pessoas, e pode ser visto em qualquer parte do corpo. De fato, ele costuma passear do braço para a barriga, de lá para a perna, e depois para o pescoço, ou para onde preferir. No caminho, alimenta-se das reservas de gordura subcutãneas do hospedeiro.

Mas chamar de hospedeiro o ser humano em que habita reduz o bicho-viajante ao status de um reles parasita. E não é. Pelo menos para os habitantes da região onde é mais comum, trata-se, pelo contrário, de um verdadeiro animal de estimação.

Crianças, principalmente, adoram brincar com seus bichos-viajantes. Algumas chegam a ter dois ou três, para inveja dos amiguinhos.

A morte do verme é considerada um mau agouro. Quase sempre, o dono morre de depressão pouco depois, se não conseguir encontrar outro. Mesmo quando o faz, às vezes a ligação emocional era tão forte que um novo companheiro não consegue substituir o que foi perdido.

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Bestiário (67): Águia cega

A expressão “olhos de águia” não se aplica a esta variedade. Pelo contrário. Embora possa enxergar, o que contradiz em parte o seu nome, sofre de um alto grau de miopia.

Isso cria uma dificuldade evidente para uma ave de rapina, superada apenas pelo olfato superdesenvolvido. Tão forte que lhe permite distinguir uma presa no solo e calcular sua velocidade mesmo voando tão alto quanto suas parentes de visão aguçada.

Águias cegas preferem caçar animais pequenos, dos que se engolem de uma só vez. Quando a presa é maior, arrancam um naco de carne e deixam o resto para os carniceiros. O odor de putrefação da carne recém-abatida é forte demais para seu olfato sensível.

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Bestiário (66): Gadurim

Caça quase sempre em dupla. Geralmente o macho é que se ergue sobre as patas traseiras e, ereto, pescoço esticado, cabeça voltada para o céu, começa a cantar. Homem ou animal que ouça seu canto não consegue resistir e fica parado, embevecido, hipnotizado, inerte. É quando a parceira ataca, invariavelmente com uma mordida fatal na jugular.

Dois gadurins só cantam juntos quando estão disputando uma fêmea. Às vezes, acabam paralisando um ao outro.

Algumas pessoas que ouviram o gadurim e sobreviveram (porque por sorte não eram a vítima escolhida) tentaram reproduzir a melodia. Só conseguiram despertar a fúria de seus ouvintes.

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Bestiário (65): Onuque

Pode matar apenas com o olhar, assim como o lendário basilisco. Ao contrário deste, porém, foi descrito por muitos que o viram e sobreviveram.

Seus olhos são multicoloridos e brilhantes. Aliás, quase só tem os olhos. Ou pelo menos é impossível se lembrar de qualquer outra parte do seu corpo. Principalmente porque quem vê os olhos do onuque realiza imediatamente o seu maior desejo, qualquer que seja.

Não precisa formulá-lo. Não precisa sequer estar consciente dele. Basta que exista o desejo. Por isso, para muitos, acabou sendo a morte.

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Bestiário (64): Borboleta-vampiro

Ao contrário das outras espécies de borboleta, não dispõe da pequena tromba para sugar o néctar das flores. Em vez disso, sua boca é dotada de numerosos e minúsculos dentes serrilhados. Com eles, ataca suas vítimas, rasgando a pele, abrindo as veias e sugando o sangue.

Normalmente age sozinha, alimentando-se e indo embora antes que a vítima sequer perceba o que aconteceu. Mas às vezes um paná-paná se forma e ataca pequenos animais, como roedores. Em poucos segundos, sobra um cadáver sem uma gota de sangue no corpo.

Há poucos casos de ataques a seres humanos. Mas pode acontecer.

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Bestiário (63): Gualupe

Quando o naturalista George Shaw viu o primeiro exemplar de ornitorrinco empalhado a chegar à Grã-Bretanha, em 1799, proclamou peremptoriamente que se tratava de uma fraude. Garantiu que não passava de uma espécie de castor a que um taxidermista havia costurado um bico de pato. Ao ficar comprovado que o animal de fato existia, o cientista resolveu dedicar o resto dos seus anos a reencontrar o gualupe.

O gualupe fora trazido a ele por dois estudantes, cinco anos antes do ornitorrinco. Tinha o corpo de um quati, a cauda de um tamaduá e chifres de antílope. Shaw imediatamente expulsou os rapazes da universidade, dizendo que tinha mais o que fazer do que dar crédito a trotes.

A constatação do erro no caso do ornitorrinco levou Shaw a abandonar a cátedra e partir numa expedição ao coração da Amazônia, de onde nunca mais voltou. E também nunca mais se soube do gualupe, embora haja relatos de um animal semelhante nas lendas dos índios Paiquizes.

Os dois estudantes foram presos por falsificar notas de libras em 1812.

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Bestiário (62): Piquiriqui

O canto do piquiriqui sempre intrigou os ornitólogos, que não conseguiam estabelecer um padrão. Os “discursos” entoados com ritmo e eloquência jamais mostraram relação alguma com acasalamento, estresse, migração ou qualquer outro comportamento. Parecia aleatório.

Só recentemente foi apresentada a hipótese, a princípio ridicularizada, de que o piquiriqui anuncia o resultado de uma extração de loteria. Algo semelhante ao jogo do bicho, porém praticado por aves. Ao que parece, é um “jogo do homem”. Com apostas e prêmios em grãos.

Hoje, por exemplo (“pi-piqui-pipiqui-piqui-pi-piqui”), deu careca. Na cabeça.

(Obrigado.)

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Bestiário (61): Margoyne

Surgiu nos laboratórios de uma multinacional da área de biotecnologia e foi a primeira variedade transgênica a disputar um nicho no mercado de animais de estimação.

Macio como uma chinchila, inteligente como um gato e bonito como um collie premiado, o margoyne apresentava outras vantagens. Nunca adoecia, e adaptava-se facilmente a todo tipo de clima.

Além disso, todo animal, macho ou fêmea, saía dos criadouros esterilizado. Com isso, evitava-se a reprodução fora da linha de montagem, o que garantia a exclusividade para a detentora da patente e seus parceiros comerciais.

A produção e venda, porém, foram encerradas quando se descobriu que o contato prolongado com margoynes causava esquizofrenia, pancreatites e estrabismo. Aguarda-se para breve uma versão melhorada do bichinho, sem os defeitos e possivelmente ainda mais fofa.

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Bestiário (60): Eluanga, a cobra-dupla

As cobras-duplas, já dentro do ovo, vivem enroscadas uma na outra, e assim ficam por toda a vida.

São sempre uma cobra preta e outra branca, uma peçonhenta e a outra não, uma grossa e a outra esguia, uma macho e a outra fêmea (mas jamais copulam entre si), uma agressiva e a outra arredia. Mesmo assim, nunca se separam.

Se alguém separar uma metade da outra, as duas morrem. Não que alguém já tenha conseguido.

Em raros casos, na muda de pele, a branca fica preta e vice-versa.

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Bestiário (59): Cueïl, o vampiro de emoções

O cueïl (do tukrit kweylle, “caçador de medos”) é o único animal, além de algumas espécies de morcego, que se alimenta de sangue. Mas com uma característica especial: o seu maior apetite é por hormônios que encontra na corrente sanguínea, especialmente adrenalina, dopamina e serotonina.

Como estratégia evolutiva, o cueïl desenvolveu a capacidade de usar ferramentas como a emissão de sons em altas frequências e a secreção de feromônios para alterar o estado emocional de suas vítimas antes de atacá-las. Sua simples aproximação pode causar medo, raiva, tristeza, prazer — conforme a espécie — e acelerar na vítima em potencial a produção dos hormônios desejados.

Em companhias de teatro itinerante, é um truque conhecido expor os atores à influência de cueïle antes de suas apresentações.

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Bestiário (58): Colengo

O colengo levou a arte do mimetismo ao seu nível máximo de perfeição. Não apenas imita a aparência de outros animais, mas também seus odores, sons e comportamento. Torna-se uma réplica perfeita.

Estima-se que de 8 a 12% dos seres humanos no planeta são, na verdade, colengos. Em algumas regiões o índice chega a 15%.

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Bestiário (57): Prometeu

Foi um lagarto pré-histórico que ensinou o homem a usar o fogo.

Evidências fósseis provam que o prometeu, um lagarto de até oito metros de comprimento que desapareceu pouco antes da última Era Glacial, preferia seus alimentos cozidos. Levava suas presas — inclusive seres humanos — até a beira dos vulcões, em cujas encostas vivia, e lá as deixava cozinhar antes de comê-las.

É quase certo que os homens tenham aprendido a usar o fogo para preparar suas refeições observando, tão de longe quanto possível, o comportamento do predador.

Criptozoologistas acreditam que o prometeu tenha originado também as primeiras lendas sobre dragões.

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Bestiário (56): Graal

Uma obscura tradição judaica, mais hermética que a Cabala, fala do grol, um pequeno monstro que bebe o sangue dos mortos. Filhos de Lilith, os grols (ou gróis) vagam pela noite procurando cadáveres para se alimentar.

Um deles teria bebido o sangue de Cristo e se tornado imortal.

Destruir essa aberração, esse monstro demoníaco tornado divino, tornou-se uma obsessão para um grupo de judeus convertidos ao Cristianismo ainda no princípio da nossa era. Foi dessa caçada que surgiu a lenda da busca do Graal, que não passa de uma corruptela do nome da criatura. Para a Igreja, era mais fácil fantasiar sobre a taça de José de Arimatéia do que tolerar uma lenda baseada numa superstição judaica.

Há relatos de que Saladino teria capturado o Graal. Utilizado como arma de efeito moral durante as Cruzadas, ele bebia apenas o sangue dos cristãos após as batalhas.

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Bestiário (55): Bicho de goiaba em lata

Quando começaram a aparecer nas latas de goiaba em calda, os responsáveis pelo controle de qualidade da indústria entraram em pânico. No entanto, por mais que reforçassem as medidas de higiene e erradicação de pragas, os casos de larvinhas surgindo nas conservas se multiplicavam. O pânico passou para o departamento jurídico, que enfrentava pilhas de ações judiciais e pedidos de indenização dos consumidores.

Em pouco tempo o fenômeno se alastrou para as marcas concorrentes. Esforços conjuntos de pesquisa revelaram que não se tratava do bicho de goiaba comum. Nem mesmo do antibicho. A nova espécie só vive nas goiabas enlatadas.

Até agora, não se descobriu uma forma de evitar a infestação. Pelo menos, alguns consumidores passaram a gostar mais das goiabas em calda com bicho, e passaram a comprar mais, compensando a queda inicial das vendas.

O pessoal do marketing já pensa em anunciar novos sabores de bicho.

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Bestiário (54): Onédria

Onédrias são minúsculas aranhas que tecem suas teias no interior do tubo digestivo de alguns mamíferos, entre eles o homem. Longe de serem nocivas, desempenham um papel fundamental no controle de parasitas, alimentando-se de vermes intestinais.

A onédria humana, também chamada de cumuzum em algumas regiões de Minas Gerais, Goiás e Bahia, é porém uma agente dupla. Põe seus ovos dentro das larvas de vermes, que deixa escapar para que contaminem outros hospedeiros, levando junto consigo a sua cria. Ou seja: para sobreviver, precisa prejudicar o próprio homem.

Mesmo assim, seria pior sem ela para combater os efeitos das infestações.

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Bestiário (53): Carmazu

É considerada a mais cruel das bestas antropófagas.

Onças, tubarões, crocodilos e ursos, entre outros predadores do homem, só atacam o ser humano em casos raros, em situações de extrema necessidade. Já o carmazu parece nutrir um apetite especial não apenas por pessoas, mas principalmente pelas que estão apaixonadas.

Como se não bastasse, mesmo quando ataca um casal o carmazu sempre mata apenas um dos parceiros, deixando um(a) viúvo(a) inconsolável.

No vale do Rawaj, era costume exigir de jovens pretendentes, como prova de devoção, que passassem uma noite na floresta, dentro de uma jaula. Se nenhum carmazu atacasse, era sinal de que o amor era falso.

Depois do acasalamento, o macho e a fêmea do carmazu se separam imediatamente e jamais em toda a sua vida voltarão a cruzar um com o outro.

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Bestiário (52): Maleec

O tatu gigante da Austrália é bem diferente dos tatus sul-americanos. E a maior diferença nem está no tamanho — apesar de oito metros de diâmetro serem mais que o suficiente para justificar o apelido de “gigante”. O que ele tem de mais curioso é o fato de se alimentar apenas de rochas, e por isso viver sempre no subsolo, jamais subindo à superfície.

Biólogos e geólogos australianos que vêm traçando a rota do Maleec nos últimos anos prevêem que ele chegará a Canberra no outono de 2011. Se nada for feito para mudar a sua trajetória, o monstro destruirá o metrô e todos os canais subterrâneos da cidade

Até agora, a opção mais viável apresentada para evitar a catástrofe foi a de “enriquecer” uma trilha de rochas no caminho, desviando para norte o curso do Maleec. Para isso seriam necessárias injeções de quartzo em vários pontos do território.

Por mais estranho que pareça, é possível que o Maleec não seja o último de sua espécie. Os outros tatus gigantes litófagos, porém, viveriam todos sob o fundo do mar, o que tornaria bem mais difícil a sua localização.

Três machos em briga por uma fêmea no cio podem ter causado o terrível maremoto de dezembro de 2004 no Índico.

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Bestiário (51): Camuche

O cão pode ter sido a primeira espécie domesticada. Mas o primeiro animal de companhia, precursor de todos os que conhecemos hoje, foi o camuche.

O pequeno roedor habitava as montanhas da Aracósia (atualmente um território dividido entre o norte da Índia, o Paquistão e o Afeganistão). É verdade que não deixava de ser também um animal criado por sua utilidade. Esta, porém, estava diretamente ligada ao seu caráter de bicho de estimação.

O camuche dava sorte. Mas só àqueles de quem gostava.

Os aracósios logo descobriram isso e passaram a cuidar bem do animalzinho. Crianças eram especialmente beneficiadas pelos seus bons fluidos. E quem tentava usá-los apenas para ganhar dinheiro, sem realmente se afeiçoar à mascote, não obtinha resultado algum.

Foi o que Alexandre Magno descobriu ao invadir o país e anexá-lo ao seu império — porque nem todos os camuches do mundo podiam resistir a um exército tão formidável. Foram várias tentativas de ganhar a afeição de um dos bichinhos, todas frustradas.

O imperador, então, agiu como já fizera ao cortar o nó górdio. Já que ele não conseguia receber a boa sorte dos camuches, mandou exterminá-los. E assim o pobre roedor tornou-se a primeira espécie deliberadamente extinta pelo homem.

Algumas peles e camuches empalhados foram usados ainda por algum tempo como talismãs. E deles surgiu a superstição de que pés de coelho dão sorte.

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Folheto ou livro que, além do calendário do ano, traz diversas indicações úteis, poesias, trechos literários, anedotas, curiosidades etc. (Houaiss). Do árabe al-munákh, "lugar onde o camelo se ajoelha", ponto de encontro e de conversa dos beduínos. Repertório, endimião, camião, sarrabal.

Marcos Faria

 

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E como já dizia Roland Barthes, tudo aqui deve ser considerado como dito por um personagem de romance.