Meninos, eu li (24)

Eu vou perder metade dos meus já poucos leitores. Mas a verdade é que finalmente fui ler O guia do mochileiro das galáxias (e mais o resto da série, O restaurante no fim do universo; A vida, o universo e tudo o mais; Até mais, e obrigado pelos peixes; e Praticamente inofensiva – todos em edição semidescartável da Arqueiro, 2010, comprados numa promoção no Dia da Toalha) e achei bem aquém do que eu esperava. Pode ter sido porque depois de tantos anos de cultura nerd eu já conhecia de segunda mão as melhores sacadas. Então, acabou ficando um gosto de piada requentada. Pior, piada esticada. Em vários momentos, a impressão que dá é de que Douglas Adams encheu linguiça para distribuir em cinco volumes o que caberia em no máximo dois. Talvez um e meio.Há capítulos inteiros que servem apenas para o autor mostrar como é imaginativo e engraçado – só que, ainda na metade do primeiro livro, a sua técnica básica de humor, de justapor alguma coisa épica, grandiosa, a outra trivial, banal, começa a se tornar previsível demais. Tanto é que o Guia já contém todos os temas e títulos dos quatro livros seguintes, que apenas os desenvolvem um pouco. Somente Obrigado pelos peixes retoma um pouco do frescor original.

Vilma Arêas é competente. É do ramo. Conhece a técnica do conto, e em especial do microconto. Isso fica bem claro nesse Trouxa frouxa (Companhia das Letras, 2000). As narrativas tem ritmo, tem graça, as palavras fluem redondas e as frases se encadeiam com precisão. Mas é só. Falta o principal, que é ter alguma coisa a dizer. Escrito em 2000, parece ter vindo de quatro ou cinco décadas antes, de uma literatura brasileira com um pé na psicologia e outro no realismo. Pouco inspirado, terra-a-terra, acaba esquecido logo depois da primeira leitura.

Quando vi na banca de revistas esse Assassin’s Creed: A queda (Panini, 2012) nem reparei que o personagem na capa estava carregando um rifle. Eu tinha visto algumas cenas do primeiro jogo da série e achava que era uma aventura medieval. Lendo o gibi é que fui entender que a trama envolve viagens no tempo, coisas assim. Então, tirando a parte do choque com a expectativa, achei a história (de Karl Kerschl, com arte de Cameron Stewart) interessante. Funciona direitinho dentro desse esquema de transmídia, revelando mais coisas para quem já era adepto e ao mesmo tempo funcionando como obra independente para quem não conhecia nada. Mas não foi boa o suficiente para me fisgar.

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