Arquivo do dia: quinta-feira, 16/2/2012

Biblioteca de Babel (73): A Saga de Skadr

Logo de início vê-se que é um amontoado de clichês de fantasia. Lá estão os intrépidos heróis empenhados numa missão, atravessando terras selvagens; os diálogos grandiloquentes; os encontros em tavernas; os combates contra monstros terríveis; os feiticeiros com seus duelos de magia; até mesmo os mapas nas páginas finais, para o leitor acompanhar a aventura.

É justamente ao confrontar o texto com os mapas que o romance se revela mais do que parece.

Desenhados com uma riqueza de detalhes que quase permite ver o mundo encantado de Alinaua, os mapas logo expõem uma série de contradições na narrativa. É evidente que os Cavaleiros da Lua não poderiam ter chegado ao Planalto de Orien antes da primavera. Também fica claro que a descrição das Colinas Mortas só pode ter sido feita por alguém que sequer se deu ao trabalho de observá-las no mapa do continente setentrional.

Tantas falhas só permitem uma conclusão: Skadr, o narrador e protagonista, é um mentiroso. Alguém que forjou uma saga com o objetivo de parecer nmaior e melhor do que realmente é.

A essa altura, voltar à primeira página e reler a história como fraude – sempre com a ajuda dos mapas – torna-se irresistível. E a Saga passa a ser uma obra-prima de malícia.