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Tudo o que você não sabia que precisava saber

Folhinha (19): Dia da Abundância

Mesmo depois de conquistados por Wiracocha e integrados ao império inca, inclusive adotando seu calendário, os nlutis mantiveram as suas tradições. Entre elas o Dia da Abundância, comemorado no último dia do mês equivalente ao nosso abril.

É preciso lembrar que os nlutis habitavam uma região pobre do altiplano, com terras pouco férteis e escassos recursos. Estavam habituados a uma existência frugal. Para piorar, impunham-se ainda maiores sacrifícios, guardando num silo a maior parte do que produziam durante todo o ano. Até chegar o Dia da Abundância.

Nesse dia, que antecedia o início da colheita, eles esbanjavam. Esvaziavam o depósito e fartavam-se de bolos, queijos, vinhos e carnes. Segundo os relatos que sobreviveram, neste dia o mais humilde dos nlutis tinha um banquete digno do próprio Inca.

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Dramatis Personæ (75): Orestes

Nasceu mudo, devido a uma má-foração nas cordas vocais. Isso não o impediu de se dedicar à maior das suas paixões: a política.

Aprendeu a linguagem de sinais. Mas aprendeu também algo mais importante: que precisava se comunicar com todos os eleitores. Então desenvolveu sua própria técnica de discursar por mímica.

Foi tão bem sucedido que a maioria das pessoas sequer percebia sua mudez. Ao fim dos comícios, era sempre cumprimentado pela oratória eloquente, pela clareza com que expunha suas propostas e pela credibilidade do seu discurso. Elegeu-se vereador, depois deputado por quatro mandatos consecutivos.

Abandonou a tribuna decepcionado com o baixo nível dos debates parlamentares.

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História Universal da Infâmia (7)

A caminhoneira Helena se apaixona por uma moça e faz de tudo para conquistá-la. Qual é o nome do filme?

Essa é tão fácil que eu nem devia pôr a resposta nos comentários. Mas está lá.

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Postais do Exílio (49): Ápolis

Antão, patriarca de oito religiões (e de um povo ateu), foi quem descobriu o vale. Ficava entre dois rios, que garantiam a sua fertilidade durante todo o ano. A temperatura era amena no inverno e agradável no verão. Toda espécie de planta crescia nas terras que se espealhavam por onde a vista alcançava.

Fincando seu cajado no solo, Antão decretou:

- Que nenhuma cidade seja erguida nesta terra. Maldito seja quem algum dia habitar aqui.

E assim foi feito. O vale permaneceu intacto para sempre, apenas com o cajado erguido como mastro sem bandeira.

Nenhum dos povos que chamam Antão de “pai” jamais entrou em guerra contra o outro.

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Postais do Exílio (48): Camarcândia

O palácio foi construído pelo sultão Ashamahar III em homenagem à sua noiva. São torres e mais torres de mármore, com cúpulas douradas. Água das montanhas escorre por canaletque percorrem toda a construção, alimentando cascatas em sete jardins que representam os sete reinos oferecidos como dote pela mão da princesa. No pórtico de entrada foram gravados em ouro os versos da mais bela canção de amor já composta, e cuja execução foi proibida daquele dia em diante, tornando-se exclusiva do sultão para cantar à sua amada.

Que, porém, nunca existiu.

Pressionado para casar-se e engendrar herdeiros, Ashamahar III retardou o quanto pôde a sua obrigação. Vendo que não poderia mais escapar, mandou construir Camarcândia e anunciou seu casamento com uma princesa de um reino distante. Da noiva, ninguém jamais viu mais do que a liteira trazida ao palácio, coberta por pesados cortinados.

O palácio foi, até o fim da vida do sultão, o seu álibi, esconderijo e cárcere. Dizem que ali vivia com seu amante, um condutor de elefantes.

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Biblioteca de Babel (39): O Livro dos Amores

O Sanwar, ou Livro dos Amores, contém as histórias de 64 casais felizes. São homens e mulheres jovens, velhos, de diferentes raças, credos e class es sociais. O seu apêndice, o Sanwar-viz, narra as desventuras de 64 casais infelizes.

Todo casal que se forma repete, de algum jeito, uma das 128 histórias do livro. Quem souber identificar claramente qual capítulo está repetindo saberá se está destinado a viver um casamento repleto de alegrias ou a iniciar um tormento que só terminará com a separação, ou coisa pior.

O maior problema é que os 64 casais infelizes são, em quase tudo, exatamente iguais aos infelizes.

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Dramatis Personæ (74): Mãe Lurdinha

Não traz a pessoa amada em três dias, como prometem as concorrentes. Mas garante mandar embora aquele(a) chato(a) em 24 horas.

(Nossa, essa foi tão curta que caberia no Twitter.)

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Dramatis Personæ (73): Renan

No início dos anos 90, especializou-se em design de bandeiras. Parecia uma profissão de futuro, com a queda do bloco soviético e a onda de nacionalismo fizeram novos Estados pipocarem no Leste Europeu e na Ásia Menor. Ganhou alguns concursos e logo conseguiu contratos para criar as bandeiras de países como a Malvânia, a Nerkázia e o Endroquistão.

Contudo, a onda durou pouco. E logo a bolha do design de bandeiras estourou, deixando Renan sem emprego. Tentou sobreviver atendendo a partidos políticos e outros clientes, mas não conseguia se realizar pessoal nem profissionalmente.

Decidiu então que, se não havia novos países, ele os criaria. Tornou-se um guerrilheiro sem pátria, uma espécie de Che mercenário armado de fuzis e lápis, lutando pela independência onde quer que houvesse um povo a emancipar e uma bandeira a ser criada. Foi visto pela última vez no litoral da Somália.

Arquivado como:Dramatis Personæ

Diálogo

hermes.jpg— Vamos mudar a redação dos ofícios. Este é o modelo novo. É um texto-base, só um esqueleto, e você preenche com as informações de cada caso.

— Um esqueleto?

— Isso.

— Ah, então são os ossos do ofício.

(Depois eu não entendo por que nunca sou promovido)

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Biblioteca de Babel (38): O Código Beethoven

Do Inferno brotam duas fogueiras gêmeas
Consumindo num segundo milhões de almas
De suas cinzas ergue-se a bandeira branca
Que a Guerra hasteia, na outra mão a espada

Esta é a transcrição para língua corrente dos acordes finais da quinta sinfonia de Ludwig van Beethoven, dita “do Destino”, composta em 1808. A obra é, na verdade, uma profecia cifrada da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), que só recentemente pôde ser revelada, com a descoberta do código para sua tradução. Os versos finais se referem, evidentemente, às bombas sobre Hiroxima e Nagasaki, e já anunciam a Guerra Fria (“na outra mão, a espada”) que se seguiria.

O Código não se resume à quinta sinfonia. Todas as outras integram um arco de visões do futuro, que passa pela já citada Guerra Fria, indo até a queda do Muro de Berlim (a sexta sinfonia, Pastoral), o choque de civilizações e a crise atual (a sétima), a Grande Revolução (a oitava) e o fim da História (a Ode à Alegria da nona).

Arquivado como:Biblioteca de Babel

Postais do Exílio (47): Arvena

Em Arvena há uma casa projetada (por Leonardo da Vinci, dizem) para tocar música com a passagem do sol. As barras de metal posicionadas sobre um trilho são aquecidas à medida que a luz solar passa pelas gretas calculadamente construídas, e aos poucos se dilatam até tocar os sinos dispostos ao longo do trilho.

O gênio do arquiteto foi tamanho que fez a casa tocar quatro composições diferentes, uma em cada estação do ano.

Infelizmente, a especulação imobiliária em Arvena levou à construção de vários edifícios em volta da casa musical, que nunca mais tocou suas melodias. Só ao meio-dia se ouve um ré menor, monótono e fúnebre.

Arquivado como:Postais do Exílio

Histórias reais (14): A aranha

No início havia apenas homens e mulheres. E, quando uma pessoa morria, seu espírito se transformava num animal. Os primeiros que surgiram foram o coelho, o búfalo, o morcego, o besouro, o cágado, o abutre, o carcamuz e o macaco. Depois vieram os outros todos, os da terra, da água e os do ar.

Os bichos eram poucos, e não incomodavam as pessoas. Mas aos poucos começaram a aparecer mosquitos, cobras, percevejos, ratos e outras pragas. Eram fruto daqueles que não queriam morrer e se tornavam estorvos aos vivos.

Todos viram que, se alguém não resolvesse o problema, em breve as pestes acabariam com a raça humana. O ideal seria se ninguém mais morresse. Mas isso era impossível.

Então uma mulher muito velha, que estava doente e às portas da morte, disse:

- Podem deixar. Eu sei o que fazer.

E prometeu que, depois de morrer, cuidaria para que mais nenhum espírito se transformasse em bicho, fosse bom ou ruim. Quando todos concordaram que era uma boa solução, ela fechou os olhos e morreu. No dia seguinte surgiu a aranha e teceu a sua teia, onde ficam presos os espíritos.

É por isso que ninguém deve fazer mal às aranhas e nem destruir suas teias.

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Pronto

Ninfeias

Fazia tempo que eu queria monetizar esse blog.

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Gugleiros (58)

As melhores buscas entre os visitantes do Almanaque no mês de março:

Domingo, 1 - era uma vez a vida-ouvido
E a vida-olho, e a vida-nariz.

Segunda, 2 - incenso com bambu e durepoxi
Cara, não queima durepoxi que dá onda.

Terça, 3 -sonhar com lacraias pequenas
Depois elas crescem.

Quarta, 4 -cupins atacam seres humanos?
Não me faça lembrar dessa tragédia.

Quinta, 5 -significado da palavra formiga
Em forma de “iga”. Agora pesquise o que é “iga”.

Sexta, 6 -significado da palavra ui em francês
Interjeição usada por De Gaulle quando os alemães contornaram a Linha Maginot. Sinônimo: “merde”.

Sábado, 7 -coisas decada 90
Não! Outro revival, não!

Domingo, 8 -bebes sao trocados por dia
Se não forem trocados, ficam com assaduras.

Segunda, 9 -carlos trumão andrade
Era parente do presidente dos EUA, Harry Trumão.

Terça, 10 -deus me livre dos meus inimigos
…que dos gugleiros loucos eu saberei me livrar.

Quarta, 11 -chinchila no judaismo
Eu desconfio que não é kosher. Confira o Levítico.

Quinta, 12 -como se chama o barulho que o pavão faz
Depende. O barulho que ele faz quando cai no chão é “pof”.

Sexta, 13 -fotos de animais lendarios
Foram tiradas por fotógrafos lendários, como Hércules Cartier-Bresson.

Sábado, 14 -enredo de romances dadaistas
Se tiver enredo, provavelmente não é dadaísta.

Domingo, 15 -doçuras da stella
Eu recomendo! Link ali na coluna da direita.

Segunda, 16 -tigre textura
Você pode chegar perto para sentir. Mas é por sua conta e risco.

Terça, 17 -folhinha origem do uso
Começou porque as folhonas eram pouco práticas.

Quarta, 18 -festa grega dia pagamento impostos
Só quem festejava eram os coletores de impostos.

Quinta, 19 -fagomancia
Prática em desuso que consistia em comer adivinhos. Um tipo raro de antropofagia.

Sexta, 20 -sonhar com cupim o que significa
Não sei, mas eu preferia picanha ou alcatra.

Sábado, 21 -sonhar com cebola
Acordou chorando, provavelmente.

Domingo, 22 -contos reais pais comendo o filho
Não patrocinamos a antropofagia.

Segunda, 23 -qual a cor da roupa, da espada e da bala
As duas primeiras eu não sei. A bala, se for de hortelã, deve ser verde.

Terça, 24 -nomes de bacterias boas
Na minha boca vivem a Hermínia e a Candoca, que são duas fofas.

Quarta, 25 -imagens de peixes-linguada
É uma fêmea de linguado ou alguém lambendo um peixe?

Quinta, 26 -se eu sonhei com 2 porquinhos em qual bicho
Tudo no lobo. Ele comeu o terceiro.

Sexta, 27 -pafuncio estava cavando um poço,
…e Marocas achou que ele queria fazer um túnel até a taverna.

Sábado, 28 -como se da um linguado
Embrulhado e com um laço de fita. Cartão é de bom tom.

Domingo, 29 -dias longos para os meus inimigos para q
Para que durmam mal na noites curtas.

Segunda, 30 -resumo do mito do cavalo voador
Era uma vez um cavalo. Ele voava. Fim.

Terça, 31 -terra,agua,fogo,ar foto
Foto é o quinto elemento?


E as dez expressões mais procuradas do mês foram:

sonhar com lacraia 45
almanaque 45
tigre 36
william blake 27
almanaque abril 2008 26
tigre de bengala 25
almanaque abril 2008 25
quarta feira de trevas 24
sonhar com gorila 20
goticas nuas 18

Arquivado como:Gugleiros

Por aqui

Almanaque

Folheto ou livro que, além do calendário do ano, traz diversas indicações úteis, poesias, trechos literários, anedotas, curiosidades etc. (Houaiss). Do árabe al-munákh, "lugar onde o camelo se ajoelha", ponto de encontro e de conversa dos beduínos. Repertório, endimião, camião, sarrabal.

Marcos Faria

 

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E como já dizia Roland Barthes, tudo aqui deve ser considerado como dito por um personagem de romance.